‘Sair com novinho é um espetáculo’: por que cada vez mais mulheres escolhem transar com homens mais jovens?
Não são só os homens que podem se aventurar em relações com mulheres décadas mais novas que eles. Para Marie Claire, mulheres mais velhas contam suas experiências na cama com novinhos e porque estão gozando mais gostoso com eles
A primeira vez que a compradora de suprimentos Carolina Paiva*, 39 anos, se relacionou com um homem mais novo, tinha 36. Ele, 19. “Trabalhávamos juntos numa Secretaria de Estado, eu contratada e ele, estagiário”, conta. A diferença de 17 anos entre os dois não foi uma barreira para ela. Pelo contrário, apimentou a situação. “Durou uns seis meses sem nossos colegas saberem se estávamos juntos ou não. Foi eletrizante”, lembra.
O que diferenciava a transa com homens da mesma faixa de idade ou mais velhos? “O sexo é muito mais vigoroso e excitante. É outra coisa. A gente faz de tudo e o pênis continua de pé. Além da transa, as risadas são mais leves”, diz Carolina. E tem mais: ela viu que esse homem estava mais aberto a experimentar alguma de suas fantasias. ”Uma vez, pedi para ele vestir uma cueca de elefantinho. Tinha vontade de brincar com essa fantasia. Ele usou e entrou na onda legal. Deu risada, mas não decepcionou em nada. Eles se jogam.”
Foi essa relação que abriu os olhos de Carolina para o fato de que, sim, ela poderia se relacionar com homens mais novos sem culpa.
Uma pesquisa do aplicativo de relacionamento Bumble, compartilhada com exclusividade com Marie Claire, mostra que as mulheres têm se sentido mais à vontade para buscar essas aventuras: 48% das entrevistadas se veem mais dispostas a ter um date com os mais novos, e, no último ano, uma em cada três usuárias do app decidiram ignorar os julgamentos de relacionamento com diferença de idade para decidir dar match.
Para Carolina, isso acontece porque os homens mais novos “sentem vontade de experimentar algo novo e estar com alguém mais experiente”, e isso coloca mais lenha na fogueira e tesão para conseguir cativar sua atenção. "Os caras mais novos não têm medo de levar um fora, têm coragem de chegar. Vêm com um papo engraçadinho e se dedicam mais para conquistar”, conta.
"O homem mais novo é normalmente mais imaturo que a mulher e enxerga o sexo como uma forma de poder", pensa a comerciante Fabiana Torres*, 46 anos. "Quando saem com uma mulher mais velha, eles vêm com aquele fogo todo pra mostrar que são diferentes dos outros caras." Há 10 anos, Fabiana está em um relacionamento com um homem sete anos mais novo que ela e conta que se sente muito mais desejada do que em suas relações anteriores com homens mais velhos. “Com ele o sexo é mais quente. O oral é bem feito, demorado. Às vezes ele chega animado quando estou na cozinha e transamos ali mesmo”, conta.
Às vezes nem precisa chegar nos finalmentes. Fabiana lembra que, quando estava solteira, sentia a adrenalina subir só de ver que era desejada por um homem mais novo. “Quando você vê que um rapaz está de olho em você, sua autoestima vai lá em cima. É muito gostoso.”
Carolina concorda: “Sair com um ‘novinho’ é um espetáculo, mas, às vezes, só de paquerar num barzinho ou numa balada já dá uma levantada no ego. Dá uma vitalidade”.
O que muda no sexo entre mulheres mais velhas e homens mais novos?
A psicóloga Vanessa Lacerda explica que as transformações sociais que deixaram as mulheres mais independentes mudam tudo também no jogo sexual. Elas podem se sentir mais à vontade para propor uso de brinquedos sexuais e fantasias como exibicionismo, voyeurismo, papeis de dominação/submissão. Por outro lado, parceiros mais jovens podem se mostrar mais abertos a experimentar — como o que viveu Carolina e o estagiário.
“Elas conseguem que eles estejam mais dispostos a dedicar tempo ao sexo oral e são mais abertos à seguirem orientações, o que pode levar a orgasmos mais intensos e frequentes para”, diz. Além disso, as mulheres não precisam mais pensar em buscar um relacionamento duradouro ou um “provedor” (ao menos que o que você queira é um sugar daddy). Sem contar que quando estão mais velhas, a vida está mais estruturada e elas se veem mais afim de apostar sem medo.
“Além disso, estudos indicam que a libido feminina pode aumentar com a maturidade. Isso tudo leva a um desenvolvimento de autoconfiança e o autoconhecimento sexual para que mulheres exerçam seus desejos com mais intensidade e liberdade”, diz a psicóloga.
O cinema tem refletido essa tendência de relacionamento intergeracional do ponto de vista das mulheres mais velhas. Filmes como Uma Ideia de Você (2024), que traz uma empresária de 40 anos se relacionando com um vocalista de boyband 16 anos mais jovem; ou o recém-lançado Bridget Jones: Louca pelo Garoto (2025), em que uma viúva passa a se interessar por homens jovens, são só alguns exemplos recentes.
E como não falar de Babygirl (2024), um dos grandes sucessos (e polêmicas) do último ano por retratar uma CEO de 50 anos que se envolve com um estagiário. Apesar de exercer uma posição de poder e ser um “modelo ideal” a ser seguido, ela não deseja ser vista como superior e entra num jogo de submissão e fetiche em que se esbalda ao receber ordens do estagiário — e anseia em satisfazer fantasias que, em anos de casamento, não conseguiu verbalizar ao marido.
A tendência é que apareçam mais narrativas como essas nas telonas: em entrevista à Variety, Gwyneth Paltrow, 52 anos, afirma que terá "muitas cenas de sexo" com Timothée Chalamet, 29, no filme Marty Supreme.
Na vida real, algumas personalidades também exploram esse cenário. Aqui no Brasil, Susana Vieira (82 anos), Marília Gabriela (76), Fátima Bernardes (62), Ana Maria Braga (75) e Tatá Werneck (41) são exemplos de mulheres que assumiram homens com diferença de 12 a 41 anos. "Essa coisa de que a mulher perde a vontade de namorar ou transar depois dos 50 anos é ignorância. Faz parte do machismo brasileiro", comentou Susana numa entrevista ao jornal O Globo, em 2021.
‘Será que essa ‘velha’ tá bancando ele?’
Embora o sexo, a energia e o interesse que parece mais genuíno nesses homens mais jovens possam ser um atrativo inicial, muitas mulheres destacam que a conexão emocional e a leveza da relação contam muito. Foi neste campo, aliás, que Fabiana se deparou com uma insegurança: quando conheceu o atual parceiro, ela tinha 36 anos e ele, 29.
Ao contrário de homens que exibem mulheres décadas mais jovens e são vistos como "garotões bon-vivant", ela sabe que os julgamentos são duros quando os papéis se invertem, e que comentários como "Por que aquela 'velha' consegue ficar com esse novinho? Será que ela banca ele?" — nas palavras dela própria — poderiam aparecer. Afinal, é o que já ouviu de pessoas próximas sobre outras relações assim — das casuais às sérias.
Lacerda enfatiza que essa é uma crença falsa na sociedade que indica que o desejo feminino tem “prazo de validade”.
Que Fabiana saiba, não passou por isso. Mas lembra que teve vergonha de conhecer a família do namorado. "Eu era divorciada, tinha uma filha, enquanto ele não tinha vivido nada disso. Acho que era mais uma cisma minha do que outra coisa. A gente sempre teve muita química e, no dia a dia, nem percebemos a diferença de idade. Me sinto muito mais valorizada nesse relacionamento do que em outros.”
*Os nomes foram alterados para preservar a identidade das entrevistadas









