Sexo
Por
Isadora Marques
, em colaboração para Marie Claire — São Paulo

Elisângela Macedo, 34 anos, descobriu seu amor por derramar cera de velas no corpo quando era muito nova e ainda não tinha ideia do que era wax play. “Usava velas comuns, acendia e pingava na pele. Gostava da sensação da pele ficar vermelhinha, meio quentinha”, lembra. Quando começou a explorar sua vida sexual, foi nos sex shops que descobriu a existência das velas sensuais. “Comecei a comprar pra usar nos meus relacionamentos baunilhas [pessoas não adeptas do BDSM]. De forma sensual, jogava uma vela, fazia uns jogos, tudo focado no prazer”, relata.

Anos depois, Elisângela se apaixonou pelo fetiche, que faz parte do universo BDSM. Em 2020, passou a criar conteúdos na internet como dominatrix, sob o alter ego de Evil Lohan. Apesar de se identificar com a maioria dos fetiches que envolvem dominação e submissão, o wax play se tornou uma das suas grandes paixões. Foi quando ela passou a entender que sentia mais prazer em proporcionar as sensações nas parcerias do que receber.

Além do trabalho como dominatrix, Elisângela conta que sempre curte trazer algo novo para o sexo em seus relacionamentos. “Se a pessoa nunca fez wax play, fico empolgadíssima. Apresentar essa prática a alguém pela primeira vez me dá muito prazer. Me jogo mesmo”, conta.

Elisângela Macedo, conhecida como Evil Lohan, é dominatrix e adepta do wax play — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal
Elisângela Macedo, conhecida como Evil Lohan, é dominatrix e adepta do wax play — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

O que é wax play?

A prática do wax play pode ser traduzida como “jogo de cera”. Envolve derramar cera quente sobre o corpo da parceria, tanto de forma sensual, relaxante ou como forma de tortura. Vai depender do tipo de relação que você tem. A brincadeira proporciona um jogo de temperatura que pode ser muito excitante durante as preliminares.

Elisângela curte muito observar as diferentes sensações que cada pessoa tem quando pratica o wax play. “Já tive parcerias que sentiam cócegas, outras que achavam quente demais logo no primeiro pingo. Mas já presenciei pessoas chegando ao orgasmo durante uma sessão de wax play de tanto prazer.”

Ela conta que já fez workshops para aprender mais sobre a prática sob uma ótica artística. “Conheci uma pessoa que fazia desenhos com vela nas costas das pessoas, como se fosse um quadro. Fui aprender essa técnica para testar nos meus submissos”.

Quais velas usar no wax play?

Se quiser se entregar a essa dinâmica, tenha uma regra em mente: esqueça as velas comuns. Elas têm materiais que podem causar alergia ou são mais quentes, como a parafina e corantes que não são apropriados para a pele.

Opte por velas sensuais que queimam em uma temperatura mais baixa. O ponto de fusão máximo dessas velas é de até 65º C para manter a segurança e evitar queimaduras. Além de serem mais tranquilas de aguentar, algumas viram óleos de massagem ou cremes beijáveis. Então, depois de brincar, a lambança ainda pode virar um momento de relaxamento nas preliminares ou depois do sexo.

No wax play, a escolha da vela faz toda a diferença. Velas comuns? Melhor deixar fora da cena — Foto: Reprodução/ Pexels
No wax play, a escolha da vela faz toda a diferença. Velas comuns? Melhor deixar fora da cena — Foto: Reprodução/ Pexels

Se quiser conhecer algo no nível hard, Elisângela recomenda buscar velas específicas para o fetiche. “Elas são feitas numa crescente de cores; ou seja, cada cor vai ter uma temperatura diferente. Geralmente, quanto mais escura, mais quente; quanto mais clara, mais fria”, aponta. Vale começar com as velas mais claras e trocar gradualmente para a mais escura, conforme for se acostumando com as sensações.

As velas feitas para pele podem ser feitas de cera de soja, cera de abelha e cera de coco. “Cada uma tem suas características. Algumas viram um creme espesso, outras são mais secas e saem fácil da pele com a ajuda de uma espátula”, ensina.

Além disso, a temperatura vai variar dependendo da distância que você aplicar na pele. “Se derramar de longe vai ser mais fria. Se for tentar de perto, tem que tomar cuidado para não encostar a chama na pele”, explica

Wax play no BDSM

Dentro do universo do BDSM, a abordagem do wax play tende a ser mais sádica, feita para provocar os limites dos submissos. “Gosto muito de usar na região íntima: fechar o pênis todinho da pessoa com a cera e passar gelo depois para brincar com a temperatura. Também acho muito bom derramar nas solas dos pés, especialmente com a pessoa amarrada”, conta

Ver a pessoa se contorcer é o que traz prazer para Elisângela. “Quanto mais desconfortável [dentro do jogo] a pessoa estiver, mais excitada fico”. Ela costuma remover a cera dos submissos com uma adaga para completar o ritual e exercer uma sensação maior de controle.

Mas isso não quer dizer que não existe consentimento e nem que tudo será feito de forma insegura. “Nas sessões profissionais como dominatrix, envio um formulário para que os submissos preencham e listem todas as práticas que estão dispostos a fazer. Se alguém demonstra resistência ao wax play, tento negociar, mas nunca forço. O consenso é a base de tudo”, finaliza.

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