‘Meu melhor sexo da vida foi com pau amigo’: dá para ter ‘transa fixa’ sem perder a amizade?
Transar sem compromisso com um amigo pode, realmente, ser uma saída para sair da seca sem complicações? Marie Claire ouve mulheres que viveram o melhor dos dois mundos com um pau amigo
Levanta a mão quem já sonhou em ter um amigo que, além de ouvir lamentações, dar bons conselhos e sempre dizer “sim” para seus rolês, ainda transa gostoso com você de tempos em tempos. O tal do pau amigo (P.A., para os mais íntimos) não é novidade e é o sonho de consumo de muita gente que quer uma transa fácil e, à primeira vista, sem muitas complicações. Conhecido também como amizade colorida, consiste numa relação estritamente sexual com um amigo, sem envolver sentimentos românticos ou algum tipo de compromisso.
A professora Hellen*, 30 anos, não fazia ideia de que a relação com um pau amigo poderia dar tão certo no começo.“A ideia surgiu num papo bobo, falando sobre trabalho. No meio da conversa, rolou um papo de ‘E se a gente transasse?’, um convite desses que parecem de brincadeira. Saímos, tomamos alguma coisa e acabamos indo para a casa dele. Foi aí que rolou a primeira transa de muitas”, lembra. Esse caso durou anos e nunca evoluiu para um namoro: “Conversávamos sobre relacionamentos e ficantes, mas quando a vontade batia, transávamos forte”.
Mari*, 29 anos, também professora, viveu algo parecido. Ela já tinha crush em um amigo há algum tempo, e os dois já tinham trocado uns beijos antes do último relacionamento dela. Agora que estão solteiros, viram a oportunidade de começar a transar sem perder a amizade.
“Se tornou uma saída muito boa para mim. Estou em um momento que quero ficar sozinha, mas rola uma certa carência, e a necessidade do sexo aparece”, conta. “Acho que funciona bem por ser um amigo que sinto atração, mas a gente não combina o suficiente para desenvolver uma relação amorosa.”
Você pode já ter se deparado com histórias assim nos filmes, como em Amizade Colorida (2011), com Mila Kunis e Justin Timberlake, ou Sexo Sem Compromisso (2010), com Natalie Portman e Ashton Kutcher. Diferente desses filmes, em que as histórias sempre acabam nas duas pessoas se apaixonando, é possível ter essa experiência e curtir sem crise uma brotheragenzinha.
De onde vem o tesão em ter pau amigo?
A sintonia que existe na amizade pode, sim, extrapolar para a cama. A possibilidade é não só de rolar uma transa maravilhosa, mas ainda um pós-sexo gostoso com alguém que você não precisa mandar de volta para casa. Ainda diminui as chances de ligar para um ex em um momento de carência: é só chamar o pau amigo para apagar o fogo.
Existe algo que excita bastante no fato de transar com alguém que já te conhece em um algum nível. “Transar com um amigo tende a ser mais gostoso pela possibilidade de espaço para se expressar e ser mais livre. Isso torna mais fácil liberar suas fantasias e não ter receio de se expor na hora do sexo”, explica a sexóloga Luciane Cabral.
Para a terapeuta sexual Tamara W. Zanotelli, o sexo com um pau amigo tende a ser mais satisfatório e ainda é capaz de fortalecer a amizade. “Acaba-se criando uma intimidade maior, e o sexo tende a ser mais desinibido e intenso. São duas pessoas que se gostam e estão ali pelo prazer, e ponto”, afirma.
Foi exatamente desta forma que funcionou com Hellen. “O sexo oral dele era impecável, o melhor da minha vida. Nunca encontrei outro igual. Isso me prendeu muito. Quando ele arrumava uma namorada, a gente parava. Quando algum de nós estava solteiro, voltava. Sempre pensava nele quando estava sozinha”, lembra.
Essa proximidade permitiu que a professora se sentisse à vontade para experimentar coisas diferentes no sexo com ele, e não perdia tempo. “A gente testava posições, fazia sexo em lugares diferentes… Chegava até a ser um certo exibicionismo”, lembra. “Foi a partir daí que comecei a gravar todas as transas. Ficava só para a gente.”
O que mais atrai Mari nesse tipo de relação é saber o que esperar do sexo. “Se eu tiver que partir para o casual, vou ter que achar alguém em um app e posso acabar num date péssimo — nem sempre estou com paciência para ficar testando pessoas. É muito melhor ter alguém que eu já conheço disponível”.
O que fazer se os sentimentos aparecerem?
É aí que entra a diferença entre ter um pau amigo e partir para um sexo casual. Quando saímos com alguém novo depois de um match, a transa nem sempre é boa logo de cara: não sabemos bem o que a pessoa gosta e somos guiados mais pela adrenalina do momento. No caso do pau amigo há uma camada de confiança, já que a pessoa te conhece melhor, e aí o sexo tem mais chances de ser incrível. É meio que apostar em um número com alta probabilidade de ganhar.
Como ninguém é de ferro, pode acontecer de você encontrar no pau amigo aquilo que sempre quis encontrar em um relacionamento romântico — ainda mais se tiver um histórico de relações não saudáveis. Os sentimentos podem florescer. O que fazer nesse momento? Hellen viveu isso com um outro pau amigo que teve. “Era um cara que eu já conhecia da adolescência e reencontrei depois de adulta. Só que eu estava num momento mais vulnerável. Peguei aquele carinho antigo e transformei em sentimento”, relembra.
“O sexo em si nem era o melhor do mundo, mas a companhia, o papo e o acolhimento eram tão bons. Era uma conexão diferente. Às vezes, quando a gente quer transar, o que importa mesmo é isso: conexão. Mesmo que o sexo não seja tudo aquilo.”
Hellen decidiu se afastar quando percebeu que só ela tinha se apaixonado. “Desandou tudo. Ele até dizia que, talvez, pudéssemos voltar a ficar no futuro. Mas não rolou mais porque ele começou a namorar."
Zanotelli diz que o melhor é avaliar a fundo os próprios sentimentos — se for algo que quer transformar em um namoro ou se é somente um encantamento com a dinâmica que o relacionamento se tornou. “Vale sentar com a pessoa, falar abertamente sobre o que sente e evitar pressioná-la. O principal é entrar em um consenso para entender se estão de acordo em explorar algo a mais ou continuar como está e lidar com os sentimentos”, aconselha.
*Os nomes foram alterados para preservar a identidade das personagens.









