‘Gosto de ser chamada de cachorra’: essas mulheres têm tesão em ser xingadas no sexo e contam por quê
Ouvimos mulheres que gostam de um dirty talk caprichado na cama — dos mais ousados aos mais agressivos - e uma sexóloga que explica por que ser xingada entre quatro paredes pode dar tanto tesão
Desde que a redatora Lorena*, 26 anos, transou pela primeira vez, sentia a vagina pulsar quando estava diante de uma fala sexual mais degradante. Ouvir xingamentos durante o sexo no pé do ouvido — o famoso dirty talk — sempre agradou muito. “Adoro um pouco de agressividade. Meu mamilo fica duro só de escutar um ‘Vou te foder toda’ ou algo nesse sentido”, conta.
Lorena não é a única. Gostar de ouvir palavrões ou ofensas no sexo é uma fantasia de muitas pessoas. Também é o caso da estudante de pedagogia Amanda*, 30 anos. “Amo me sentir usada e que a pessoa deixe claro para mim com palavras. Também adoro os clássicos: ser chamada de vadia, vagabunda, de cachorra. É uma delícia”, revela.
O dirty talk nem sempre vai ser sobre xingamentos em si, como os que Lorena e Amanda curtem ouvir. Só o fato de usar palavras mais proibidonas — das ousadas às mais agressivas —, seja para quem diz ou quem ouve, pode excitar ainda mais e colocar pimenta na brincadeira.
De onde vem o tesão por ouvir xingamentos durante o sexo?
Sexóloga especializada em educação sexual, Chris Marcello diz que o repertório que cada pessoa tem em relação ao que traz o gatilho do tesão é conquistado com tempo e experiência. Ou seja, vai variar de pessoa para pessoa.
O fato de sentir tesão por ser xingada tem a ver como uma dinâmica de poder, vulnerabilidade e prazer. “Para algumas pessoas, o uso de xingamentos nas transas pode intensificar a experiência emocional e sensorial, criando uma sensação de liberdade que não é vivenciada em outros contextos”, explica.
E o que nosso cérebro sente quando esses gatilhos eróticos são ativados? “O sistema límbico, que processa os estímulos, vai liberar substâncias como dopamina e ocitocina, responsáveis por gerar prazer e conexão emocional”, diz.
Por um ponto de vista psicológico, a especialista diz que esse prazer no dirty talk pode estar ligado a um prazer na quebra de normas sociais.
“É uma certa ativação de instintos mais primitivos que promovem uma transgressão, por vezes mais ‘truculenta’, e que desperta emoções intensas como surpresa e desafio. Por serem tabu em muitas culturas, essas palavras podem gerar uma descarga de adrenalina que vai criar uma experiência que mistura excitação e prazer”, completa Marcello.
Lorena acredita que a origem do seu desejo pode ter vindo do envolvimento com a pornografia desde muito nova. “Talvez eu tenha sido condicionada a isso. Mas me sinto confortável, não é algo que bate errado como se minhas parcerias realmente pensassem que sou do que estão me xingando.”
Amanda sente que, no seu caso, tem a ver com uma proximidade com a submissão. “Me atrai muito deixar a pessoa conduzir. Costumo ser submissa sempre, mas de uma forma mais ‘vanila’. Não curto outras práticas do BDSM, mas sim o fato de me sentir dominada.”
Ser xingada entre quatro paredes é diferente do dia a dia
Marcello explica que os desejos sexuais de cada um estão mais ligados ao mundo das fantasias e jogos de papeis do que à verdadeira personalidade de alguém, que “oferecem um espaço para explorar camadas da própria identidade que, muitas vezes, ficam escondidas na rotina e nas exigências do dia a dia".
Lorena pensa exatamente dessa forma. “Tem dias que eu amo obedecer e que me façam entrar na linha na cama, mas continuo odiando qualquer tom condescendente fora dela”, conta.
Amanda, que vive um relacionamento aberto e sente tesão em ver sua parceria com outras pessoas, adora ser comparada a elas. Isso não significa que queria se sentir menos desejada o tempo todo — mas ela gosta de uma provocação que flerta com a humilhação.
“Que tesão que me dá quando meu namorado me diz que qualquer outra mulher tem algo que eu não tenho ou que sente mais tesão por outra do que por mim. Isso é bárbaro para mim, é maravilhoso!”
Marcello reforça que tudo faz parte de uma faceta criada pelas pessoas para se sentir mais livres. “Se alguém é muito confiante e dominante no dia a dia, viver uma experiência em que é desafiado ou ‘subjugado’ pode oferecer um contraste interessante e bem erótico.”
Como pedir para ouvir uma sacanagem mais pesada?
Trazer o assunto à tona é simples: converse. Quando estiver conhecendo alguém e rolar um pouco mais de intimidade, vale abrir o jogo sobre o que você curte na cama. Falar de sexo sem amarras ou vergonha de se identificar com certos fetiches é um passo importante. Além disso, trocar esse tipo de confidência pode ser uma baita preliminar.
“Costumo fazer aos poucos algumas brincadeiras para deixar no ar, quando o papo não engrena logo de cara. Mas muita coisa a gente descobre na hora mesmo”, diz Amanda.
Se você quiser ser xingada na cama, diga quais tipos de palavrões curte e quais acha que cortam o clima. Isso vai criar uma dinâmica excitante entre vocês e vai construir um momento de dirty talk mais prazeroso.
Você pode até introduzir esse tipo de fetiche durante o sexo. Se gosta de ser chamada de ‘cachorra’, por exemplo, pode assumir o desejo com naturalidade e sussurrar no ouvido da parceria: “Hoje quero ser sua ‘cachorra’ sabia? Me daria muito tesão se você me chamasse assim”. Aos poucos, as pessoas vão se sentindo mais à vontade para explorar o que é excitante e vai convidar a parceria a entrar no jogo.









