Chicote só é bom no BDSM? Descubra o potencial do fetiche e como usar mesmo no sexo convencional
Símbolos de dor e prazer, os chicotes são queridinhos do BDSM, mas também podem esquentar o sexo mais soft; conheça a origem do fetiche, os tipos e como usar com segurança e tesão
Amados pelas dominatrix e submissos, o chicote é um ícone do universo do BDSM. Mais do que meramente causar dor e prazer, ele simboliza poder e está ligado a jogos de impacto e dominação — o que pode intensificar, inclusive, na escolha do material, que vai do nylon e da borracha ao couro. Apesar de serem associados ao sexo kink e trazer um tom mais punitivo, os chicotes podem ser usados também em relações baunilha (ou seja, de “sexo convencional”) com sensualidade.
O chicote é uma ferramenta de expressão sexual, que quando usada com responsabilidade, pode transformar suas transas em momentos de descobertas e abrir caminhos para explorar diferentes fetiches. Seja iniciante ou experiente, o importante aqui é respeitar os limites das parcerias e se divertir no processo.
Mesmo sem ser usado ativamente, o chicote pode funcionar como um forte símbolo de autoridade e dominação. A simples presença do brinquedo já impõe respeito, reforça a dinâmica de poder e deixa claro quem está no controle. Pode funcionar num jogo de role play — um tipo de jogo erótico em que as parcerias assumem personagens para explorar fantasias sexuais.
Conheça os tipos de chicotes usados no sexo
Chicote com várias tiras
Conhecido também como flogger, é ideal para iniciantes por causar um impacto menos agressivo e atingir uma área maior do corpo. O seu formato tem cabo rígido e várias tiras que podem ser feitas de couro, silicone ou tecidos sintéticos.
Chicote de montaria
São curtos, rígidos e têm uma ponta achatada, semelhantes aos tradicionais de montaria de cavalo. Esse tipo de chicote vai causar impactos mais localizados e intensos. São comuns em jogos em que o dominador é mais experiente.
Chicote de cauda única
Também conhecido como bullwhip, tem uma única tira longa que pode ser trançada ou não. Exigem mais habilidade e treino por ser mais difícil de manusear. É capaz de causar mais dor por ser um tipo de impacto mais concentrado. Também pode deixar marcas e lacerações.
Como aderir aos chicotes na transa?
Pré-estabeleça os limites
Antes de começar, converse com sua parceria sobre o quanto de dor ela aguenta ou está disposta a receber. Respeite os limites combinados e só aumente o nível da força se tiver consentimento. Definam uma safeword — palavra de segurança — que vai interromper a brincadeira imediatamente, caso esteja desconfortável.
Comece de leve
Escolha um chicote para iniciantes, como os de várias tiras, que distribuem o impacto de forma mais suave. Antes de usar na outra pessoa, teste na palma da sua mão para ter uma noção da força. No início das chicotadas, use apenas o movimento do pulso para garantir mais controle e causar impactos mais leves na pele.
Só mire em regiões seguras
O foco aqui são as zonas menos sensíveis do corpo — afinal, você quer só colocar uma pimenta na brincadeira, não causar algum tipo de ferimento. Os locais recomendados para começar a mirar as chicotadas são as costas, coxas e nádegas. Evite regiões como rosto, pescoço, dedos, cabeça, pés e lombar — além dos seios e genitais — pois são lugares com muita circulação venosa e podem sangrar.
Intercale as sensações
Faça pausas nas chicotadas e alterne entre os impactos fortes e leves. Experimente também brincar com o som ao bater em outras superfícies, como a cama, para aguçar os sentidos. Enquanto dá um tempo para a pele se recuperar antes do próximo impacto, faça carícias com o chicote pelas zonas erógenas e brinque com a antecipação.
Quais fetiches envolvem chicotes no BDSM?
O Whipping é um fetiche dentro do BDSM considerado um jogo de impacto extremo, em que quem domina usa um chicote do tipo de montaria ou de cauda única para deixar impactos mais intensos pelo corpo. É tratado como algo mais hard por ser capaz de causar lacerações na pele, dependendo da força aplicada — principalmente, se não houver um treinamento prévio da parte do dominador.
Outro fetiche conhecido é o flogging: consiste em usar chicotes com várias tiras para machucar o corpo da parceria de formas mais suaves. O flogging pode ser usado tanto de forma sensual quanto punitiva, e é ideal para quem está iniciando no universo do BDSM.
O chicote também brilha nos jogos sensoriais, em que o foco é o poder de antecipação. O simples som do estalo no ar é capaz de provocar arrepios — mesmo sem tocar na pele. Além disso, pode ser usado para explorar o corpo com carícias suaves ao deslizar as tiras devagar pelas zonas erógenas para criar tensão entre o prazer e a expectativa.
De onde vem o fetiche por chicotes?
O interesse por chicotes não é de hoje. Essa história começa lá na Antiguidade, período que se iniciou em aproximadamente 4000 A.C. e durou até o ano de 476 D.C.
Os etruscos, povo que vivia na península Ibérica antes da ascensão de Roma, desenhavam cenas de flagelação erótica bem antes de Cristo. Também é possível encontrar relatos de prazer em ser chicoteados em textos romanos como o Satyricon — um romance satírico do século 1 D.C. que acredita-se ter sido escrito por Caio Petrônio, um cortesão romano que viveu durante o reinado de Nero.
Em Roma, além de ser usado em dinâmicas sexuais e eróticas, o chicote também era utilizado para punir em rituais religiosos.
Já no século 19 surge Theresa Berkley, uma dominatrix britânica que virou lenda em Londres. Ela é a criadora do Berkley Horse, um móvel pensado para a flagelação erótica que envolvia chicotes ou outros objetos para causar dor e prazer. Os métodos de Berkley ajudaram a moldar o que ficou conhecido como BDSM hoje.









