É seguro fazer sexo na piscina do motel? Tudo que você precisa saber para seguir (ou não) com a brincadeira
É seguro transar na piscina do motel? Quais as chances de contrair ISTs? Marie Claire ouve ginecologistas e gerentes de motéis para entender desde o protocolo de higiene das águas até os cuidados que você deve seguir antes e depois da brincadeira
Usar ou não piscina de motel é um dilema que pode dividir opiniões que vão desde sentir muito tesão em poder nadar sem roupa — e, claro, transar embaixo d’água — até ter muito nojo só de imaginar encostar em saliva, suor ou qualquer outro fluido de outros hóspedes desconhecidos que possam ter ficado na água. Esse é o caso da nutricionista Beatriz*, 30 anos, que treme só de pensar na possibilidade. “Por passarem muitas pessoas por lá a cada dia, sempre penso que o tempo para limpar os ambientes é menor. Para mim, é como se a piscina do motel fosse um banheiro cheio de bactérias desconhecidas. É quase impossível me sentir segura.”
Já a babá Gisele*, 34 anos, pensa diferente. “Adoro quando tem piscina no quarto do motel. Sei que tem questões de limpeza, mas quando vamos em piscinas públicas também não estamos 100% protegidas”, pensa. Mesmo que não tenha sentido nojo quando conseguiu viver essa aventura Yasmin Roveron, 21 anos, não abre mão dos cuidados depois da diversão. “Depois do sexo, corro para o chuveiro e tomo pelo menos um banho de três minutos, só para garantir que qualquer sujeirinha saia do corpo.”
Como os motéis fazem a higiene das piscinas?
Talvez seu pensamento seja de que a água da piscina do motel deve ser trocada a cada uso. Mas isso é inviável não só na acomodação: piscinas públicas de clubes, hotéis, condomínios e parques aquáticos não são descartadas com frequência. A diferença é que, normalmente, você não vai entrar sem roupa (ou transar) em alguma delas, mas isso não quer dizer que a exposição às bactérias não existam.
A Associação Brasileira de Motéis afirma que, embora não exista um procedimento formal específico para o setor, costuma-se seguir os padrões recomendados para qualquer piscina pública. Um exemplo é a Portaria Nº 1.101 de 2015, da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, que determina padrões para o tratamento de água, sistema de circulação, nível do cloro e aspecto transparente e limpo, com fundo da piscina visível.
No caso das piscinas dos motéis, que costumam ter uma quantidade de água bem menor do que as públicas, o que pode existir é um tipo de tratamento da água mais eficiente e resistente. É o que explica Felipe Martinez, diretor da LHG (Lush Hospitality Group), que gerencia motéis premium como Lush, Tout e Andar de Cima Suítes.
“Em todas as piscinas do grupo não usamos cloro químico. Temos um equipamento que produz cloro a partir do sal. Essa maquininha quebra as moléculas de sal para gerar o cloro automaticamente”, explica. Segundo ele, o sistema é controlado por um medidor que funciona 24 horas. Isso garante que o nível de cloro esteja sempre dentro da faixa ideal: nem muito alto (o que pode causar irritações na pele), nem muito baixo (para não comprometer a limpeza da água).
“Além disso, o filtro da água também funciona 24 horas por dia. Como as piscinas são pequenas, precisam de cerca de 40 minutos para que toda a água seja filtrada. É exatamente o tempo necessário para limpar toda a suíte entre um cliente e outro”, afirma.
No Fly Motel que é localizado em Belo Horizonte, há um sistema de filtragem e higienização parecido, como destaca o sócio-diretor Marcelo Campelo. “Nos preocupamos excessivamente com a filtragem. No nosso caso, as piscinas precisam de cerca de 1h30 para filtragem completa da água.Para garantir a segurança, esse é o tempo mínimo entre as entradas de cada cliente nas suítes”, diz. “Temos um quadro que mostra todos os processos que as piscinas passam, como filtragem 24 horas e aplicação de ozônio, que age como desinfetante e germicida.”
No fim das contas, é seguro fazer sexo em piscinas de motel?
Apesar de buscar o clima sensual de transar numa piscina e dos protocolos de limpeza, ginecologistas ouvidas por Marie Claire alertam que nem sempre elas são tão seguras assim.
“O cloro e outros produtos químicos não eliminam totalmente os riscos de possíveis infecções fúngicas ou bacterianas que podem estar na água”, alerta Monique Novacek, ginecologista com especialidade em obstetrícia.
Um outro ponto importante citado por ela é que o cloro em contato com a mucosa vaginal pode alterar o pH da área, o que aumenta as chances de contrair Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) como candidíase, de fungos, bactérias e vaginoses.
“É normal que o contato com a água diminua a lubrificação natural da vagina, o que vai aumentar o atrito e favorecer o surgimento de pequenas fissuras nas mucosas. Isso abre caminho para a entrada desses microrganismos”, explica a ginecologista Camila Bolonhezi.
Por outro lado, Novacek afirma que, apesar das infecções bacterianas serem um risco, não é possível contrair uma IST só pelo contato com fluidos em água não tratada. “Isso porque os microrganismos que transmitem infecções como sífilis, HIV, gonorreia, clamídia e outras não sobrevivem muito tempo fora do corpo humano, o que impede a transmissão nesse caso”, explica Novacek.
Isso não significa, no entanto, que a transmissão está fora de perigo caso transe sem camisinha na piscina. Inclusive, é necessário ter cuidado redobrado ao utilizar camisinha dentro da água. Novacek explica que, por conta do cloro, o látex da camisinha pode enfraquecer e prejudicar a eficácia. “O recomendado é deixar para penetrar somente fora da água, principalmente no caso de parcerias casuais, e deixar a piscina para relaxar e aproveitar outros tipos de carícias.”
“Caso tenha um parceiro fixo e vocês já estejam acostumados a não usar camisinha, vale testar a penetração na água. Porém, o atrito ainda pode ser um problema pela falta de lubrificação”, aconselha.
Se ainda assim decidir usar preservativo e penetrar dentro d’água, Bolonhezi recomenda o uso de camisinha de poliuretano ou poliisopreno, por serem mais resistentes à água do que as de látex. “Lembre-se de verificar que ela foi bem colocada e evite longas exposições à água. Também é preciso usar lubrificantes à base de silicone, que duram mais.”
Quais cuidados ter antes e depois de transar na piscina do motel?
Quando for escolher uma suíte com piscina, vale se atentar aos protocolos de limpeza utilizados por cada motel, além de observar a integridade da água.
“Ligue no estabelecimento para entender como funciona a limpeza. Outra preparação é tomar um banho antes de entrar na piscina e usar produtos que controlem o pH vaginal, que pode minimizar o risco de infecções fúngicas e bacterianas”, recomenda Novacek.
“Caso tenha algum machucado, fissuras ou corrimentos já diagnosticados antes, deixe para entrar na água em outro dia para não aumentar os riscos de infecções”, indica Bolonhezi.
Depois do contato com a água da piscina de motel, as duas ginecologistas recomendam os mesmos cuidados que se teria depois de qualquer transa: fazer xixi depois de transar para ajudar as possíveis bactérias a saírem da entrada da uretra; lavar a vulva apenas por fora com sabão neutro; e evitar o uso de calcinha por um tempo para permitir a ventilação — o que, estando em um motel, provavelmente não será um problema, não é mesmo?
*Os nomes foram alterados para preservar as identidades das personagens









