Sexo
Por
Camila Cetrone
, redação Marie Claire — São Paulo (SP)

Responda para si mesma com sinceridade: você tem algum fetiche? Ou seja, se atrai por alguma situação específica que não é considerada tão convencional? Se a resposta for sim, relaxe: não há nada de errado com isso. Por mais “estranhos” que possam parecer para algumas pessoas, todos os fetiches sexuais são comuns e saudáveis.

Isso porque os gostos e taras de cada pessoa serão moldados de acordo com o repertório sexual, mas também pelas vivências de cada um — o que pauta totalmente o lance de a sexualidade ser diversa e particular.

Tipos de fetiches é o que não faltam, desde os considerados mais comuns até os mais “bizarros”. Mas cada um deles pode ser abarcado em um grupo diferente, já que podem estar relacionados a sensações e vivências específicas. Para ficar mais fácil de entender, Marie Claire reuniu 13 tipos de fetiche que existem e como cada um pode mexer com a libido.

Antes de seguir em frente, é preciso questionar: o que define os limites do fetiche? O consentimento, sempre. Se você curte práticas que sejam mais violentas, por exemplo, não há problema DESDE QUE tudo seja acordado, conversado e alinhado com a pessoa com quem você vai se relacionar. O BDSM, por exemplo, é baseado no mote SSC, que significa Seguro, São e Consensual.

O fetiche se torna uma parafilia (ou seja, um comportamento sexual nocivo e que causa sofrimento para alguém) quando não há consentimento ou quando o desejo se torna tão impulsivo que passa a causar sentimentos negativos.

Portanto, seja sempre muito aberta com a outra pessoa sobre seus desejos e, se quiser tentar algo novo, busque sempre pelo consentimento e conforto da outra pessoa. Afinal, sexo deve ser prazeroso e divertido para todo mundo envolvido, né?

Os 13 tipos de fetiches sexuais mais comuns

Parcerias múltiplas

Aqui entram basicamente todo e qualquer fetiche em transar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Sexo a três, orgia, suruba, gang bang e swing são algumas das estrelas desta categoria e são desejadas por muita gente. Uma pesquisa de outubro de 2024 do Instituto Kinsey mapeou que 95% dos homens e 87% das mulheres no mundo todo já quis fazer sexo com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Partes do corpo

Outro tipo de fetiche comum, significa atração sexual muito forte por partes específicas do corpo — geralmente, que vão além dos genitais. Esse tipo de atração é chamado de parcialismo. O mais conhecido aqui é o fetiche por pés, a podolatria, mas há ainda quem tenha fetiche em cabelo (tricofilia), pelos corporais (hirsutofilia) e mãos (quirofilia), por exemplo.

Peças de roupa

Pode envolver o fetiche por determinados materiais, tecidos, cores ou peças específicas, como lingeries, calcinhas, cuecas e meias. No BDSM, é comum a atração por roupas de látex, borracha, vinil ou couro — que podem aparecer em peças inteiras, mas também em acessórios como arreios e cintas. Aqui, também conseguimos englobar a altocalcifilia, ou seja, o fetiche por sapatos de salto alto.

Infidelidade

Se traição é motivo de término para muitos casais, para outros é uma atração à parte. Os cuckolds e cuckqueans são pessoas que adoram ser traídas. Não só, mas em geral elas curtem muito ver a parceria se relacionando com outra pessoa. O fetiche pode ou não envolver humilhação, como cintos de castidade, proibição de se masturbar, xingamentos ou falas envolvendo performance (que o amante transa melhor) ou mesmo o tamanho do pênis.

Role play

Role play nada mais é do que interpretação de papéis; ou seja, brincar de mentirinha assumindo novas personalidades, profissões ou mesmo criando todo um enredo para transar. O lance aqui é dar asas à imaginação e aos desejos: tem quem curta se fantasiar de bombeiro, policial ou enfermeira; casais que fingem ser pessoas desconhecidas; e até mesmo a criação de mundos fantasiosos, envolvendo criaturas mágicas, outros planetas ou personagens da ficção.

Também podem ser englobados no fetiche de role plays as dinâmicas de pet play (um fetiche em que uma pessoa se baseia em arquétipos de animais de estimação e outra é a domadora) e age play (em que duas pessoas adultas interagem fingindo ter idades distintas das que realmente têm), já que são tipos de interpretações. A figura do daddy ou da mommy na cama também está aí, já que são usadas falas, performances e condutas específicas para dar o tom desses personagens entre quatro paredes.

Exibicionismo e voyeurismo

O voyeurismo é o fetiche em que uma pessoa gosta de observar outra escondida em contextos sexuais e eróticos, seja ao trocar de roupa ou ao transar. Enquanto o exibicionismo é o fetiche de quem gosta de ser observado dentro desses contextos. É muito comum que seja realizado de forma consensual em dinâmicas menores (como o sexo entre duas pessoas e uma observadora, que também pode ou não dar ordens e manipular a transa) ou nas maiores, como em casas de swing, orgias ou nas dinâmicas de dogging.

Escatologia

Os fetiches escatológicos estão muito voltados a ter desejo em secreções liberadas pelo corpo. Estamos aqui falando do golden shower (envolvendo xixi), scat (cocô) e salirofilia (suor e saliva). Pedimos licença para incluir ainda o fetiche em outras coisinhas “nojentas” que saem do corpo, como vômito, pum e arroto.

Dominação e submissão

Junto do sadomasoquismo, os dois são pilares importantes dentro das práticas de BDSM. Podem basear relações inteiras, apenas o ato sexual ou o comportamento de maneira geral. Por exemplo: no caso do pet play, a pessoa submissa pode andar de coleira ou ter um colar com o nome da pessoa dominadora. Ou ainda, pode subverter e normas de sexo e gênero na cama. A tara aqui está justamente nas funções de um manda e o outro obedece.

Sadomasoquismo

Os fetiches dentro do guarda-chuva do sadomasoquismo envolvem o prazer na dor — seja ela física ou psicológica. Conhecida por estar dentro do BDSM, pode ter relação com atos sexuais mais violentos, envolvendo tapas, golpes de chicote ou ranhuras na pele (feitos por unhas e outros objetos cortantes). Há ainda a possibilidade de se engajar em práticas de degradação moral e/ou psicológica, que podem ir de falas vexatórias até encenação de situações violentas (como o estupro simulado, por exemplo. Antes de julgar, lembre-se que há consentimento nessas dinâmicas).

Fetiches de controle

Um tanto análoga às dinâmicas de dominação e submissão, controle está relacionada a muitas dinâmicas que podem envolver sentidos do corpo ou coerções psicológicas. Por exemplo: o edging poderia ser englobado aqui. A prática consiste em atiçar até quase chegar ao orgasmo e parar os estímulos, “acumulando” tudo para ser liberado depois com mais intensidade. Ou ainda dinâmicas de extorsão de dinheiro e degradação.

Restrição de sentidos e movimentos

Também uma forma de controle, os fetiches que envolvem restrição de sentidos estão mais ligados a imobilizar partes do corpo ou, por exemplo, usar vendas para tapar os olhos. Algemas, separadores de braços e pernas, correntes, cordas para bondage e shibari são alguns exemplos de brinquedinhos que podem ser incluídos na brincadeira. A ideia é que, ao diminuir a capacidade de resistir, o corpo fique mais livre para que a pessoa dominante explore cada pedacinho como decidir (e, claro, como for acordado antes entre as partes).

Fetiches espaciais

Muita vontade de fazer sexo ao ar livre, em lugares inusitados ou em cubículos minúsculos são só alguns exemplos dos fetiches espaciais. O desejo está interligado às adaptações que o sexo pode ter em determinados lugares ou mesmo à tara de ser flagrada por outras pessoas em espaços públicos. O dogging é um exemplo de prática que envolve exclusivamente transar em lugares públicos, por vezes com desconhecidos.

Fetiche em objetos

É isso mesmo: tem quem tenha fetiche em objetos inanimados, como bichos de pelúcia (peluchefilia), balões (inflatofilia) ou estátuas (agalmatofilia). Isso pode sugerir que os objetos sejam, de alguma forma, implementados em dinâmicas sexuais (disclaimer: por favor, não coloque NADA em seus buracos que não seja feito especificamente para isso) ou gerem uma atração muito forte.

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