Como dar beijo grego? Tudo o que homens e mulheres precisam saber para aproveitar sem medo
Marie Claire ensinou o bêabá da prática que é cheia de tabus, mas pode ser muito prazerosa
Não adianta mentir: sabemos que você tem curiosidade sobre beijo grego. Todo mundo tem, independentemente se você é mulher, homem ou vive outra possibilidade de gênero além dessas. Não só é perfeitamente normal e saudável como, sinceramente, pode ser uma delícia, reforçar laços de cumplicidade e ainda é capaz de deixar a transa ainda mais intensa.
O beijo grego consiste, basicamente, em dar um beijo ou lambida no ânus de alguém. A região anal é uma zona erógena poderosíssima, cheia de terminações nervosas que colocam o tesão lá em cima. Mas, como tudo que envolve um amorzinho "por trás", é alvo de nojo, medos e tabus — principalmente em homens héteros cis.
O que é contraditório é que o beijo grego surgiu, justamente, entre homens, durante as orgias da Grécia Antiga. Ele tinha efeito prático: lubrificar o ânus para receber a penetração (graças às deusas, hoje temos lubrificantes). Mas o negócio é tão bom que resistiu ao longo do tempo, e hoje serve puramente para sentir e dar prazer.
Se você quer cair de boca ou morre de vontade de propor para sua parceria, mas não sabe como, Marie Claire ajuda com um guia definitivo e prático sobre tudo o que você precisa saber sobre beijo grego — desde como fazer até de que forma começar a conversa com a parceria para tirar todos os preconceitos. Vamos nessa?
Por que o beijo grego é bom?
Quando estamos falando em dar uma bitoca ou lambidinha no ânus, é importante dizer: existem MUITOS prós e benefícios capazes de transformar não só o sexo, mas a relação entre as duas pessoas (ou mais) que estão participando da transa.
Como já falamos, o ânus tem uma série de terminações nervosas. A tradução disso é que é uma área bem sensível, que se estimulada com carinho e jeitinho, pode proporcionar bastante excitação.
O mesmo vale para o mero ato de tentar uma novidade na cama. Buscar sua parceria para experimentar novas formas de transar (e gozar) demonstra interesse não só em sentir prazer, mas de experimentá-lo com a pessoa que você ama.
Ter uma novidade como o beijo grego (ou qualquer outra) na brincadeira de vocês também aumenta a conexão, a intimidade e a entrega. Isso tudo faz mais do que meramente sair da rotina na cama, mas também vira cumplicidade e confiança, já que vocês sabem que 1- podem falar abertamente sobre o que curtem e 2- sabem que podem realizar desejos juntos (dentro dos limites de cada um, é claro).
Antes do beijo grego: como conversar com minha parceria?
Antes de ser muito bom, tudo que é novo pode causar um pouquinho de estranhamento e medo. É normal. Para tirar o estigma do beijo grego e da vontade de experimentar, a conversa franca e sensível é imprescindível para chegar lá. Também pode acontecer, é claro, de uma coisa só levar à outra na cama e vocês descobrirem algo meio “por acaso”.
Se o que você quer é experimentar a bitoca na sua traseira, existem algumas maneiras de puxar o assunto ou guiar sua parceria com conforto para este momento. Se o papo de vocês for mais aberto quanto a isso, você pode aproveitar um momento em que estiverem falando de sexo para sondar o que sua parceria acha.
Uma chave pode ser perguntar a opinião da pessoa sobre diversas práticas até chegar no beijo grego. Uma boa maneira de fazer isso é perguntar deixando claro que quer provar aquilo justamente com a parceria. Assim: “Queria experimentar beijo grego com você. Acho que vai ser gostoso.”
Outra é aproveitar um momento em que seja possível fazer o assunto surgir. Filmes, séries e jogos são algumas ferramentas que abrem brechas para fazer perguntas sobre o que ela acha. “Você faria/receberia um beijo grego?”, “Você teria tesão nisso?”, “Tem vontade de experimentar?” são só algumas boas frases para iniciar a conversa sem dar tanto a entender que você está afim.
O ideal aqui é puxar o assunto devagar se sentir que não tem abertura, e entender as reações que a pessoa te dá. Também vale muito a pena ter honestidade e ir direto ao ponto. “Vi num filme uma vez e fiquei com vontade de tentar”, “Uma amiga tentou com a namorada dela e acho que queria saber como é” e “Acho sexy e queria fazer em você/que fizesse em mim”, pode ser algumas saídas.
E existem vezes em que algumas coisas só acontecem e a descoberta vem. Pode ser o caso, por exemplo, de aproveitar uma carícia para fazer a mão parar ali perto. Veja como ela se sente e quais sinais te dá para entender se rola prosseguir até chegar ao beijo grego em si. Mas lembre-se: sempre que for dar uma passinho a mais, pergunte para entender se você tem ou não consentimento.
Tem quem pense que perguntar como está sendo é brochante, mas, com o jeitinho certo, pode ser bem sexy.
Como dar um beijo grego? Um guia prático
Tenha paciência e vá (bem) devagar
Sempre que você e sua parceria forem experimentar algo novo, é bom ter bastante tempo livre e a sós para isso. Ou seja, não dá para experimentar numa rapidinha. O legal é que cada pessoa mantenha uma escuta sensorial ativa para entender como o corpo se sente e suas reações. Também é preciso paciência para fazer ajustes, entender a forma mais confortável e, sobretudo, trocar com sua parceria sobre como está sendo. “Está gostoso assim?”, “Quer que eu mude de posição?”, “Posso colocar a boca?” são algumas opções de deixas para irem se comunicando durante a transa.
Crie um mood
Além de tempo de sobra, é legal criar uma vibe para que o momento seja gostoso desde o início e relaxe vocês. Um jantarzinho gostoso, conhecer um motel que estão paquerando há meses, um bar aconchegante… Não importa o que escolherem desde que seja para dar um pause total na correria do dia a dia.
No lugar em que forem transar, também vale criar um clima de romantismo, intimidade e erotismo entre vocês. Velas aromáticas, luzes baixas, uma playlist bem safadinha e acessórios para brincar espalhados pelo quarto são só algumas possibilidades.
Capriche nas preliminares
Sexo bom é sexo vivido pouco a pouco, em que cada pessoa tem tempo para curtir o máximo a outra e se entregar. Preliminares são essenciais sempre, ainda mais quando se está tentando algo novo e ousado — que é como é visto o beijo grego.
Por isso, dê aquele beijo demorado, acaricie as zonas erógenas que mais dão arrepios na sua parceria, abuse das mordidinhas no pescoço ou em falar sacanagem no pé do ouvido. O ideal é que vocês se conectem totalmente para que seja mais confortável quando sua boca começar a descer. E por falar em boca…
Capriche mais ainda no sexo oral
Um oral caprichado na vulva ou no pênis também tem vez aqui — e pode ser uma forma de já começar a introduzir o ânus na brincadeira. Isso porque enquanto você estiver caindo de boca pela frente, dá para começar a fazer carícias no períneo e a passar a mão pela polpa da bunda. Vá descendo devagarinho com as mãos e sentindo como sua parceria reage. Também é uma maneira de fazer a língua começar a ir em direção ao ânus para dar aquele “sustinho bom” e criar camadas de expectativa.
Invista numa massagem anal
Antes de cair de boca, use suas mãos. Vá acariciando o bumbum levemente, devagar, beijando as nádegas ou fazendo um carinho gostoso no canto interno da coxa. Comece passando o dedo indicador ali no períneo, bem devagar e sem apertar. Aproveite para fazer isso enquanto faz o sexo oral, se quiser.
Vá aumentando a pressão das carícias com os dedos aos poucos até chegar com o dedo ali. A massagem anal, que é como uma masturbação mesmo, pode começar com o dedo indicador fazendo círculos amplos bem ali na região. Vá fechando o cerco devagar até chegar no ânus em si. Faça movimentos leves, de um lado para o outro, para cima e para baixo ou circulares.
E como dar o beijo grego em si?
Comece devagar. Aproveite que a área já está “mais quente” com as outras carícias e comece com um selinho bem no ânus. Vá beijando devagar a região assim e, aos poucos, comece a abrir a boca para lamber.
Da mesma forma que os dedos, você pode usar a ponta da língua para deixar o estímulo mais bem direcionado, em círculos, de um lado para o outro ou de cima para baixo. Deixe a língua bem molinha — da mesma forma que se faz para pagar um boquete ou chupar o clitóris.
Aos poucos, vá usando a língua inteira para lamber ali e pegar a área toda com vontade. Se você quiser dar um passo extra, pode sobrar a língua em U e colocar só a pontinha da língua dentro do ânus.
Para deixar o momento ainda melhor, vale falar frases que deixem o tesão atiçado ou que faça com que a pessoa se sinta desejada. Deixe bem claro o quanto está gostando, pergunte como está sendo para ela ou se quer que mude alguma coisa.
Combine vários estímulos
Não é porque o beijo grego será o protagonista da vez que você deve se esquecer do restante do corpo. Vale a pena, por exemplo, continuar masturbando a vulva ou o pênis enquanto estiver lambendo atrás. Ou ainda, passar a mão pelo corpo e pelas regiões mais sensíveis da sua parceria. Se quiserem apostar em um sex toy, vá em frente! Géis beijáveis com sabor e/ou sensoriais também podem guiar vocês a um caminho ainda mais delicioso.
Como fazer beijo grego de forma segura?
Desfrute e muito do beijo grego, à vontade e sem moderação. Mas, como sempre, é preciso seguir uma série de cuidados para garantir que a brincadeira não se torne um risco.
Como Marie Claire já contou antes por aqui, beijos gregos não devem ser dados no caso de tanto o ânus ou a boca estiverem com fissuras, machucados, aftas ou feridas. Isso porque, dessa forma, a exposição a infecções, vírus, parasitas e bactérias aumenta. Então, separamos algumas boas práticas de higiene e segurança para ter em mente todas as vezes em que for se aventurar por trás.
Evite fazer beijo grego em caso de feridas
Se o ânus estiver com fissuras, a possibilidade de transmissão de infecções como HIV, HPV, herpes, sífilis, hepatites, clamídia e gonorreia aumenta. O mesmo vale para quem está com herpes labial, candidíase oral ou gonorreia orofaríngea. Nestes casos, o melhor é esperar a região sarar para poder cair de boca sem medo.
Mantenha a higiene em dia
É meio óbvio, né? Mas precisa ser dito, porque não adianta querer um beijo grego e não estar com o ânus bem limpo. É importante que ele esteja sem odor fétido ou resquícios de cocô.
Para higienizar direitinho, basta usar sabão neutro e água corrente ao redor do ânus e colocar a pontinha do dedo para retirar as sujeiras que podem estar ali na entradinha. Só isso já basta, mas se preferir algo mais reforçado, também é possível fazer a ducha higiênica — a famosa chuca. Aqui, temos um guia de como fazer a chuca da maneira certa, com segurança.
Apare os pelos
Sim, ânus têm pelos e são normalíssimos, mas merecem atenção. É que eles podem acumular fezes e coliformes fecais mesmo depois de uma limpeza generosa. Para isso, não precisa investir numa depilação brasileira se não quiser. Só aparar os pelos e deixá-los mais baixinhos já fazem a diferença.
Corte bem as unhas
Por mais que você vá usar muito mais a boca do que os dedos, é inevitável que, vez ou outra, eles entrem na brincadeira. Como o ânus é uma região sensível, pode tanto dar prazer como machucar com facilidade. Por isso, as unhas precisam estar bem aparadas para tudo fluir com conforto e sem machucar — tanto para a experiência ser prazerosa quanto para não aumentar os riscos de transmitir infecções.
Use preservativos de barreira
Se for fazer sexo com uma pessoa que não conhece e quiser fazer o beijo grego, é imprescindível usar preservativos de barreira. Afinal, ninguém sabe ao certo qual é o histórico de ninguém, certo?
A melhor forma de se prevenir é usando o dental dam, uma folha de látex usada em dentistas e que pode ser comprada em farmácias ou lojas de produtos odontológicos. Também dá para usar uma camisinha externa (ou camisinha masculina) com uma pequena adaptação: basta cortar as pontas do preservativo e transformá-lo num quadrado. Daí, é só posicionar a camisinha no ânus e dar seu show.
Não se esqueça do lubrificante
Se o beijo grego for levar a dedadas ou mesmo penetração, o lubrificante precisa entrar em cena — tanto pelo conforto quanto pela segurança. Ir “no seco” nunca é a melhor opção e pode levar a machucados bem dolorosos. O que não faltam são opções de lubrificantes e géis beijáveis, com gostinho de frutas ou doces, que podem melhorar ainda mais o momento.
Doeu? Pare!
Essa regra é primordial para tudo que envolve sexo. Desconfortos são comuns, ainda mais em práticas novas, e devem passar em alguns instantes. Mas se sentir dor ou sensação de ardência extrema que não passe, interrompa por algum tempo ou pare tudo e tente outra coisa.
É por isso que não se deve usar anestésicos ou dessensibilizantes anais: a dor é o termômetro que indica que algo não vai bem.
O mesmo vale caso se sinta desconfortável: se quiser parar, avise a qualquer momento. Se preferirem, vocês podem combinar uma palavra de segurança para sinalizar mais rapidamente quando seguir em frente ou quando parar.









