Vibradores sustentáveis existem? Indicamos 5 modelos para gozar sem agredir o planeta
Antes de ir às compras, informe-se! Marie Claire ainda ouviu especialistas sobre os desafios para tornar o mercado erótico eco-friendly
Vamos ser francas: desde que a popularidade dos vibradores dispararam — e ter uma coleção deles passou a ser cool em vez de vergonhoso —, o que não para de surgir são novos modelos para usar até (seu clitóris) dizer chega. Mas, convenhamos, comprar um monte de sex toys pode não ser muito viável para o bolso. Nem para o planeta. Enquanto empresas passam a encontrar maneiras para ser eco-friendly, como fica o mercado de sexual wellness? Existe algo que seja próximo de uma proposta de vibradores sustentáveis?
Sex toys podem ser feitos de vários materiais, do plástico e a borracha ao vidro temperado. Nos últimos anos, os mais populares (e buscados) são os feitos de silicone médico — por serem macios, mais seguros e duráveis — e os recarregáveis, para que sejam reutilizados por um longo tempo com mais facilidade, sem precisar comprar e descartar pilhas.
Esses materiais, no entanto, estão longe de receber um selo verde sustentável* — e alguns deles, como as borrachas gelatinosas, podem não só intoxicar ambientes aquáticos como liberar compostos químicos como os ftalatos, que podem fazer mal também ao corpo.
Os desafios são muitos para conseguir alcançar o bem-estar sexual que não intensifique a crise ambiental. Afinal, é preciso encontrar materiais que não vazem contaminantes, sejam higiênicos e duráveis (se forem biodegradáveis, melhor). Estamos no caminho?
Segundo especialistas ouvidas por Marie Claire, é difícil dizer. A seguir, explicamos tudo sobre o cenário ideal para investir em sex toys sustentáveis — e indicamos 5 modelos para comprar, caso queira testar.
Vibradores sustentáveis já são realidade? Bem... Mais ou menos
Isabela Cerqueira, CEO e fundadora da marca de sexual wellness Good Vibres, diz que a sustentabilidade não está no rol de critérios prioritários de quem compra um brinquedo.
Portanto, ao menos no Brasil, isso não é apontado como uma tendência de consumo — logo, sem demanda, não há porquê fazer tantos esforços para trazer os produtos. Não à toa, praticamente todos os sex toys ecologicamente corretos só podem ser encontrados na gringa.
Outro critério que ela aponta é a falta de apelo estético. Camila Gentile, que também é CEO da rede Exclusiva Sex Shop, diz ainda que trazê-los ao Brasil ou mesmo produzi-los sai muito caro para empresas e para consumidoras. Os preços mais altos também dificultam que tenham apelo popular.
"Também há contradições. Recebemos há algum tempo um brinquedo gringo que era tingido com coloração natural, mas tinha um ímã interno para toys da mesma marca se conectarem sozinhos na cama", diz Gentile. O que ela explica é que, mesmo com as propostas existentes, as marcas ainda estão tateando para encontrar um produto que seja, de fato, 100% sustentável, seja na produção ou na tentativa de gerar menos lixos e poluentes.
Outro entrave está na dificuldade em fazer o descarte de vibradores, sugadores e mais. Ao passo em que se encaixa como lixo eletrônico, a borracha, silicone ou o plástico usado para revesti-lo não é tão aceito assim na reciclagem. O motivo está no fato de ter tido contato com fluidos humanos — ou seja, é um descarte com risco biológico, igual lixo hospitalar.
Enquanto o sistema de separação de lixo convencional tenta entender que caminho seguir, algumas iniciativas vêm surgindo. O Hospital dos Vibradores, que oferece conserto de brinquedos eróticos, também aceita descarte e o encaminha para a reciclagem.
Além disso, Gentile diz que todas as lojas da Exclusiva vão, em breve, ter lixos específicos, que serão encaminhados devidamente aos ecopontos — onde cada material é separado entre reciclável ou aterros sanitários (no caso dos não reaproveitáveis). É também uma tentativa da sexóloga de conseguir encontrar um protocolo mais próprio.
Do lixo ao luxo: as medidas para criar um mercado erótico eco-friendly
Quem pesquisa o impacto da degradação ambiental diz que, enquanto a indústria erótica tenta entender meios de tornar essa tecnologia acessível e sustentável, uma boa saída é apostar em vibradores que sejam duráveis e possam ser usados por anos e anos.
Nesse quesito, o material mais longevo é o silicone médico ou materiais que não sejam porosos ou estraguem fácil. Seu corpo também sai ganhando, já que é um material mais higiênico e fácil de limpar (basta usar sabão neutro em água corrente antes e depois, secar bem e guardar com proteção à luz solar).
Mas, nos últimos anos, marcas, projetos e iniciativas no exterior têm buscado meios de começar essa conversa e se consolidar. Para se ter ideia, em 2012 essa já existia alguma iniciativa: foi neste ano que surgiu na Alemanha a Other Nature, primeiro sex shop ecológico do país que oferecia desde vibradores e preservativos a peças eróticas feitas com couro vegano.
Natural Pleasures, Love Not War e The Natural Love Company são alguns exemplos de sex shops estrangeiras que se comprometem a uma produção mais sustentável, o que se reflete nos produtos. As ações incluem desde materiais recicláveis e cabeçotes que aproveitam a mesma base para ter vários produtos em um até uso de energia renovável e embalagem sem plástico.
Há mais de 10 anos, a empresa italiana Gaia lançou um eco-vibrador, o Eco Bullet, feito de plástico duro à base de plantas sintetizado por meio do amido de milho. A descrição da empresa aponta ainda o processo sustentável na produção, com redução de energia, emissão de gases e pegada de carbono baixa. No entanto, ele precisa de pilhas para funcionar e, segundo relatos de compradoras, não é tão durável.
Com o Eco Bullet, a Gaia e o sex shop alemão Womanizer disputam a alcunha de terem criado o primeiro vibrador biodegradável do mundo. Em 2022, a marca lançou o Premium Eco, um sugador de clitóris com 12 intensidades feito com biopolímero (uma macromolécula feita de fontes renováveis) e amido de milho.
No mesmo ano, a marca estadunidense Rose in Good Faith criou o Plastic Soul, um sapato produzido com resíduos de brinquedos eróticos que foram danificados durante a produção; ou seja, nunca usados. Produzido com palmilha de cortiça, plástico e espuma de EVA, o calçado poderia ajudar a reduzir desperdício de polímeros e ajudar a tornar a indústria de calçados mais limpa.
Quer testar? 5 vibradores sustentáveis para comprar
Como contamos, por mais que ainda não exista uma opção 100% sustentável e que alinhe a proposta com um custo acessível, alguns modelos ecológicos já estão disponíveis nas prateleiras virtuais. No Brasil, não existe (até o momento) nenhuma marca que produza e venda brinquedos eróticos totalmente eco-friendly — por mais que a produção de muitos seja vegana, por exemplo. Então, olhamos principalmente para o mercado internacional para trazer opções de vibradores sustentáveis para testar.
Eco Delight, de Gaia (R$ 230)
Com 10 velocidades e 5 padrões vibratórios, a versão mais evoluída do Eco Bullet tem formato de dedal e texturas. Também é produzido em borracha natural à base de plantas, parcialmente compostável, sem látex ou petróleo na composição. As pilhas foram substituídas pela bateria — ou seja, é recarregável e pode durar por mais tempo.
Bolinhas Kegel Sustentáveis, de Natural Pleasures (£19.99 - R$ 151,70, na cotação atual**)
Usadas nos exercícios de pompoarismo e fortalecimento do assoalho pélvico, essas bolinhas não têm motor, são biodegradáveis e feitas 100% de plástico à base de plantas. Não é poroso, promete textura suave e é livre de odores e látex.
Premium Eco, de Womanizer (€ 99 - R$ 632,59, na cotação atual**)
Na disputa pelo selo de primeiro vibrador biodegradável do mundo, é produzido com o mínimo de plástico possível, biopolímero e amido de milho. Tem 12 intensidades de vibração, é resistente à água.
Elemi, de The Natural Love Company (£34.95 - R$ 265,23, na cotação atual**)
Feito de plástico reciclado retirado do oceano e silicone macio, o bullet é discreto, tem 10 padrões vibratórios e pode ser usado com versatilidade — tanto no clitóris, vulva, ânus e períneo até em outras zonas erógenas.
Grá, de Love Not War (£ 89.99 - R$ 682,92, na cotação atual**)
Com quatro intensidades e sete padrões vibratórios, esse toy chegou a ser premiado como uma ótima opção para casais. Este modelo é produzido com alumínio reciclado e uma parcela muito pequena de plástico. A fábrica da marca é alimentada por energia hidrelétrica e emissão zero de carbono — ou seja, todos os brinquedos autorais podem ser considerados ecológicos. Quer mais?
*Sabemos que é broxante, mas reunimos dados de quantidade de resíduos registrados de materiais comumente usados para construir sex toys no mercado erótico. Por mais que sejam recicláveis, os silicones não são biodegradáveis e levam petróleo na composição — o que faz com que leve séculos para se decompor. Em termos de plástico, o Brasil sozinho produz 11 milhões de toneladas de lixo por ano – é o 4º maior produtor —, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês). Os microplásticos também causam alarme, já que são difíceis de se decompor e passam muitos e muitos anos presente no solo e no oceano. No caso das baterias, o relatório The Global E-waste Monitor 2020, da Universidade das Nações Unidas em parceria com órgãos internacionais, apontou que, só em 2019, 53,6 milhões de toneladas de aparelhos eletroeletrônicos foram descartados — sendo que só 17% foi reciclado, por mais que já exista tecnologia de ponta para conseguir reutilizá-los.
**Cotação realizada em 5 de junho de 2025.









