Tem curiosidade pelo BDSM, mas não gosta de sentir dor? Conheça o soft BDSM e explore fetiches com leveza
Sim, dá pra amarrar, provocar, mandar e obedecer sem sair tanto da zona de conforto. Conheça adaptações sensuais para brincar a dois (ou mais)
Inovar no sexo é sempre uma boa ideia. Se você é uma pessoa que se esforça para não deixar a transa cair na rotina, provavelmente já flertou com algum fetiche do universo BDSM. Esse é um território que desperta muita curiosidade — mesmo em quem tem certo receio.
Como toda experiência nova, é normal que você tenha inseguranças, especialmente quando se trata de alguns fetiches que podem parecer extremos demais. Também é normal sentir vontade de experimentar apenas uma pontinha de algo, sem se jogar de cabeça. A boa notícia é que o soft BDSM existe justamente como uma alternativa para explorar algumas práticas que envolvem dominação e submissão de uma forma mais leve.
Um tapinha, uma algema de pelúcia ou uma venda nos olhos têm bastante potencial para deixar o momento ainda mais sexy. Marie Claire conversou com Lunna Queen e Inara, a Doutrinadora, que trabalham como dominatrix, para ouvir dicas de como adaptar alguns fetiches do BDSM ao sexo tradicional.
O que é soft BDSM?
Como o nome já sugere, é uma tentativa de suavizar algumas dinâmicas comuns no BDSM e adaptá-las a uma transa baunilha (não adepta do BDSM). A ideia é trazer algumas práticas para a cama num contexto mais sensual, com menos intensidade. Não precisa ter medo de sentir dor física ou de se submeter a restrições muito severas. A proposta é adaptar de uma forma prazerosa e que respeite os limites e desejos de cada um.
A palavra-chave é consentimento
É muito importante conversar sempre antes e depois de tentar qualquer coisa nova no sexo. Lunna alerta que por mais simples e leve que um fetiche possa parecer para uma pessoa, pode ser considerado pesado e até despertar gatilhos em outra.
“Se pedimos para a parceria fazer algo durante o sexo sem comunicar antes, ela pode se sentir pressionada em dizer sim, mas depois se sentir mal com isso. Então, o ideal é conversar antes”, aponta. Vale lembrar que mesmo depois de negociar, você sempre pode voltar atrás e dizer que mudou de ideia.
Inara explica que o segredo para brincar com jogos que envolvem dominação de forma tranquila é ter bastante cuidado com a parceria. “Explique que tudo é apenas um jogo, fantasiem juntos antes. Estabeleçam uma palavra de segurança [a famosa safeword] e imponha seus limites. Esse é o primeiro passo”.
Um guia de introdução ao soft BDSM
Dominação e submissão
Esse é o jogo que vai ser a base para os demais fetiches. Pode ser feito como numa espécie de role play, com fantasias que simbolizam essa dinâmica de dominante e submisso.
É ideal conversar antes para saber quem se identifica mais com qual papel antes de colocar a brincadeira em prática. “É importante que seja um desejo mútuo para funcionar. Vale experimentar dar algumas ordens para a pessoa, antes e durante o sexo. Peça para ficar de joelhos para fazer um oral ou ficar em alguma posição que você goste, por exemplo”, explica Lunna.
Spanking
Sabe aquele famoso tapinha na bunda que muita gente curte? Ele pode ser uma ótima forma de inserir o spanking no sexo. Lunna Queen aconselha começar com menos intensidade e ir dosando aos poucos. “Os tapas podem ser inseridos antes ou durante a relação sexual. Vocês podem começar com tapas leves na região do bumbum e das coxas”.
É importante sempre observar a reação da parceria e perguntar se ela está gostando e se tudo bem dar um tapa mais forte. Com toda certeza, se ela quiser mais, vai te pedir. "Lembrando que o fetiche do spanking não quer dizer apenas bater para castigar a pessoa. Não é um tipo de agressão. É um jogo de prazer”, explica Inara.
Impact play
É como se fosse uma segunda fase da brincadeira: se vocês já estão acostumados a dar uns tapinhas durante a transa, podem começar a intensificar o jogo com o uso de acessórios. “Sugiro começar utilizando a chibata [que também é conhecida como chicote] por ser um acessório fácil de manusear e de controlar a força para causar mais ou menos dor”, indica Lunna Queen.
Inara recomenda os floggers (chicotes de tira, em tradução livre) que tenham cerdas de camurça. Nos sex shops, é comum encontrar esse tipo de chicote, que é o mais apropriado para relações soft. “São mais bonitos visualmente, não cortam a pele e permitem que o jogo se torne mais longo e interessante para ambos”, reforça.
Bondage
Nesse fetiche, que consiste em prender ou ser imobilizado durante o sexo, o foco é brincar com a entrega e a sensação de vulnerabilidade. Segundo Lunna, é fácil de inserir no sexo baunilha com acessórios que podem ser encontrados em sex shops, como algemas de pelúcia, que são bem confortáveis. Não precisa ser nada muito elaborado. “Também acho interessante experimentar coisas que temos em casa, como lenços e bandanas”, aconselha.
Se for utilizar algemas com chave, deixe sempre em um lugar de fácil acesso para poder soltar a qualquer momento. E nunca deixe a pessoa sozinha imobilizada no quarto para não correr nenhum risco.
Wax play
Se pingar cera de vela quente na pele for muito extremo para você, é possível adaptar com o uso de velas de massagem que são encontradas facilmente em sex shops. Além de se transformarem em um óleo para massagem, elas têm um aroma gostoso e são consideradas seguras, pois queimam a uma temperatura menor — cerca de 40º. Dá para sentir o quentinho, mas não ao ponto de queimar a pele.
Humilhação erótica
Uma forma de pegar leve nesse fetiche e começar aos poucos é liberar os xingamentos na hora da transa. Em primeiro lugar, você tem que saber do que sua parceria curte ser xingada e em que momento. “Uma boa é começar com xingamentos que remetem ao erotismo, como ‘putinha’, ‘cadelinha’, ‘cachorra’. Acho gostoso pedir para a parceria ficar de quatro e em algum momento perguntar ‘Quem é a minha putinha?’”, sugere Lunna.
Inara reforça que a humilhação erótica dentro do BDSM não tem a ver com atacar a honra ou a dignidade de alguém. ”Se quiser explorar, faça de forma responsável para não causar nenhum impacto negativo”, diz. Ela sugere criar dinâmicas que façam uma desconstrução verbal da realidade para a parceria entender que tudo faz parte de uma fantasia.
Sensation play
Outro jogo que pode facilmente ser adaptado no sexo tradicional e ainda deixar o momento ainda mais sexy é o sensation play (jogo de sensações, em tradução livre). A ideia é mexer com os sentidos da parceria para causar ainda mais tesão.
“Dá para brincar com um cubo de gelo e passar pelo corpo, enquanto deixa uma música sensual tocando baixinho. Gosto de colocar uma venda nos olhos da pessoa nesse momento. É muito sensual”, descreve Lunna.









