Meu primeiro orgasmo: mulheres contam como e quando foi a primeira vez que chegaram ao clímax
Neste Dia do Orgasmo, Marie Claire ouviu mulheres reais sobre as primeiras vezes em que tiveram um orgasmo — ou, ao menos, o mais marcante de suas vidas
Você se lembra do seu primeiro orgasmo? Não estamos falando de data, horário, local, ano, com quem… Mas você sabe quando sentiu pela primeira vez a sensação de “quase desmaio”, tremeliques e a possibilidade de se sentir sair do próprio corpo de tanto prazer? Ok, essa descrição talvez seja exagerada — afinal, existem vários tipos de orgasmo e cada um deles é válido —, mas é fato que, mesmo que conversemos muito mais sobre o que nos faz gozar e o que desejamos, nem todas as mulheres já gozaram na vida.
Isso não é a gente que fala. São os dados e a ciência; tanto que existe nome para isso: gap do orgasmo. Um estudo publicado em 2024 no The Journal of Sex Research analisou 500 pessoas residentes em seis países europeus, e descobriu que 54% das mulheres entre 18 e 80 anos já fingiram um orgasmo. Esse percentual entre os homens é menor: 34%.
As brasileiras fingem ainda mais: 79% já fingiram, de acordo com um levantamento de 2023 da Hibou, que pesquisa comportamento de consumo. Os motivos para fingir orgasmos são vários: agradar a parceria, ter vergonha de falar e viver as próprias vontades, ou só acabar logo com o sexo — que, em muitos casos, é visto como obrigação numa relação, principalmente hétero e cis.
O cenário é outro quando falamos da masturbação feminina: 68% das brasileiras acreditam que o melhor caminho para gozar é sozinha. O dado é do Censo do Sexo, divulgado em 2024 pela pantynova. No mesmo estudo, só 19% já alcançaram o clímax acompanhadas. Não à toa, é a sós que a maioria delas descobre o que é orgasmo — seja pela ao roçar em objetos sem querer ou simplesmente trançar as pernas, por exemplo.
O mais legal é que é possível ter novas primeiras vezes a vida inteira. Afinal, a forma de transar, os desejos e o que desperta prazer são mutáveis. É possível descobrir novas formas de gozar — seja com brinquedos ou sem, experimentando novas técnicas, fetiches ou orgasmos anais ou nos mamilos, por exemplo.
O momento da vida também traz mudanças, desde a menopausa e a gestação até, por exemplo, um processo de transição de gênero (no caso de mulheres trans) ou a jornada para se descobrir uma mulher sáfica. Tudo (absolutamente tudo!), interfere na forma como sentimos prazer. E não existe certo ou errado, desde que você esteja confortável, feliz e gozando.
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Marie Claire perguntou para várias mulheres se elas se lembram do primeiro orgasmo que tiveram. Se não o da vida, então o clímax que foi divisor de águas e mostrou o que, de fato, é um orgasmo. As respostas delas você lê a seguir.
‘Meu primeiro orgasmo foi com um elefantinho de pelúcia’
"Sou assexual. Então, não sinto atração sexual. Mas tive meu primeiro orgasmo aos 10 anos de idade, brincando com um elefantinho de pelúcia. Na época, eu nem sabia o que era isso. O mais interessante é que nunca tive necessidade de ter um parceiro real para sentir esse tipo de sensação — pois sempre foi com brinquedos ou objetos."
Luciana do Rocio Mallon, 51 anos
‘Meu primeiro orgasmo foi sozinha. Demorou para acontecer com parceiros homens’
Minha mãe sempre foi muito restrita a esse tipo de assunto — até hoje, ela nunca falou comigo sobre sexo. Quando fui morar com minha tia, que conversava bastante comigo, lembro que um dia perguntei o que era gozar e como era chegar no orgasmo. Eu tinha uns 15 ou 16 anos, talvez. Minha tia me incentivou, dizendo que se conheceu, que se tocava... Eu fiquei muito curiosa.
Nas primeiras vezes que tive orgasmo foram sozinhas, seguindo os conselhos que minha tia me ensinou sobre autoconhecimento. Me tocava, me masturbava, e foi muito engraçado porque foi uma sensação muito boa, me tremeu a perna, a barriga… Ao mesmo tempo era estranho, eu não sabia se ria ou ficava esperando passar. Demorou alguns anos até ter um orgasmo em relações com homens. Não conseguia ter orgasmo só com penetração com ele, e tive que resolver como sentiria a mesma sensação com um parceiro. É uma busca constante. Acho que muitos homens não entendem isso, mas graças a Deus tive minha tia, que agradeço muito por ter me instruído.
Hoje, tenho um filho homem. Quando percebi que ele estava na puberdade, conversei bastante com ele sobre isso, porque queria que ele fosse uma pessoa mais resolvida. Tenho uma conversa muito aberta com ele, justamente porque quero que os relacionamentos que ele tenha sejam saudáveis, que ele compreenda e entenda a mulher que escolher para ele. Acho que isso é muito importante.”
Fabi Cris, 45 anos
‘Raramente não tenho orgasmos, e são múltiplos. Isso não se aprende, você sente’
“Nunca tive problema com minha sexualidade. Quando transei pela primeira vez, na adolescência, senti uma coisa diferente, mas não sabia o que era ainda.Com o tempo fui descobrindo que era um orgasmo. Claro, também tive a sorte de ter um namorado que era encantador, então ele me preparou pra isso. Na sequência, fui tendo orgasmos múltiplos. Na verdade, raramente eu não tinha orgasmos. Inclusive [risos] eram tão intensos que alguns parceiros estranhavam — eu casei sete vezes. Um dos maridos não entendia muito bem como é que eu tinha essa facilidade, era ciumento, questionava: ‘Mas você aprendeu com quem?’ Isso não se aprende, você sente. Antes de mim, talvez eles não tenham tido relacionamentos com pessoas que tinham orgasmos com tanta facilidade e múltiplos. É fácil ter orgasmos desde que você conheça teu próprio corpo. Aprenda a conhecê-lo que o orgasmo vem sozinho, automaticamente.”
Márcia, 72 anos
‘Meu primeiro orgasmo na menopausa foi no carro do meu marido’
"A temida menopausa chegou para mim e acabou com o que eu mais temia: minha libido. Isso sem falar do ressecamento e das muitas mudanças no meu corpo. Antes da menopausa tudo era belo e maravilhoso, ainda mais quando seu parceiro sabe fazer você gozar e se sentir mulher, desejada, desperta aquela sensação de boca seca, coração acelerado… É a melhor coisa. Ainda tenho orgasmos hoje, mas não com tanta frequência. Isso não quer dizer que eu não sinta prazer. Os brinquedinhos e óleos de massagem ajudam bastante. Aliás, tem um momento legal depois desse período: foi quando meu marido (antes éramos namorados) passou no meu serviço no horário do almoço. Fizemos amor dentro do carro. Foi um dos melhores orgasmos que tive na vida.
Bruxinha, 55 anos
‘Meu primeiro orgasmo anal foi gostoso demais. Parei de me preocupar com meu corpo e gemia com vontade’
“Não lembro exatamente do meu primeiro orgasmo da vida. Porém, o primeiro gozo com estímulo anal foi inesquecível. Sendo uma adolescente trans, que escondia sua sexualidade, tinha muito medo de me masturbar com objetos — fosse pelo medo de ser descoberta ou pelas histórias de pessoas hospitalizadas por usarem itens inapropriados. Foi num namoro tardio, aos 21 anos, às escondidas, que tive minhas primeiras experiências com o sexo anal.
Esse meu ex morava em outra cidade. Quando nos conhecemos já ficamos juntos, mas não chegamos a transar. Na segunda vez, decidimos fazer uma viagem juntos. Menti para a minha família dizendo que passaria o final de semana com amigas. Chegando ao hotel, começamos a nos beijar intensamente. Fiquei muito excitada e fomos tirando a roupa. A temperatura subiu rápido. E me entreguei. Só queria que aquele homem me tomasse.
Fomos para a cama. Como ele tinha mais experiência que eu, segui correspondendo com às iniciativas dele. Ele posicionou meu corpo perto da beirada da cama e lá fiquei até ele me penetrar. Com o movimento do sexo, fui sendo empurrada para fora da cama. Como estava gostoso demais, não quis interromper. Até que me vi com a cabeça e os ombros pendurados, como se metade de mim estivesse de ponta cabeça.
Naquela hora, nada mais importava. Parei de me preocupar com meu corpo, com a minha imagem. Só me entreguei. Ele saiu do meu campo de visão e tudo que ficou foi a sensação gostosa da penetração, me estimulando sem parar. Eu gemia com vontade, de entrega e paixão. Consegui gozar sem me preocupar com as sombras que me tiravam a paz na hora do sexo. Literalmente de cabeça para baixo, como se o mundo pudesse acabar em um petite mort.”
Lia Gomes*, 38 anos
‘Meu primeiro orgasmo aconteceu sem querer, graças aos cordões de uma calça’
“Espero que isso não seja tão inapropriado quanto parece, mas tenho certeza que tive meu primeiro orgasmo com uns sete ou oito anos. Lembro que tinha uma calça bege que tinha dois cordões na cintura, daqueles de amarrar. Na ponta de cada um deles tinha um pequeno pino. Uma vez, quando o pneu do carro do meu pai estourou e ele teve que procurar uma borracharia, fiquei no carro.
Entediada, fiquei brincando com os cordões — peguei a época em que não tinha celular ou tablet, você passava o tempo à toa com qualquer coisa. Até que sem querer esfreguei um dos pinos de um certo jeito em mim, por cima da calça. Claro que eu não sabia o que era masturbação, orgasmo, sexo... Não tinha a menor ideia, mas sabia que se passasse aquele pino do cordão com uma certa força ou velocidade na vulva (eu também não sabia o que era clitóris), eu sentia uma coisa gostosa e prazerosa. Lembro dessa imagem bem vivida na minha cabeça, até hoje.”
Alicia*, 27 anos
‘Meu primeiro orgasmo? Mas o que é orgasmo?’
“Tenho 26 anos e não sei se já tive um orgasmo algum dia. Se a resposta for não, acredito que seja por conta dos remédios controlados que eu faço uso contínuo… mas gosto de acreditar que em alguns momentos especiais, consegui chegar no clímax da minha relação. Às vezes fica confuso saber se sim ou não com tantas informações divergentes na internet, mas sim já tive prazeres intensos com o meu marido. Não é fácil acontecer, mas pra rolar comigo, supostamente, precisa de muitas preliminares, precisa de muito beijo na boca e de muito toque físico. Esses fatores contam muito mais do que a penetração em si.”
Judy*, 26 anos
*O nome foi alterado a pedido da personagem para preservar a identidade.









