Sexo
Por
Camila Cetrone
e
Isadora Marques
, redação Marie Claire — São Paulo (SP)


Entre tantas séries que exibem nudez e cenas de sexo realistas, por muito tempo foi raro de ver as que abordam a sexualidade feminina com a franqueza que ela merece. Que mostram mulheres reais, maduras, divertidas, cheias de tesão, com corpos que fogem dos padrões, vivendo seu desejo sem filtros e que traduzem tão bem toda a intensidade e vulnerabilidade da vida real.

O sexo nem sempre é bonito, sensual ou traz orgasmos cinematográficos. São muitas nuances, entre o desejo e as vivências de cada mulher — e poucas produções têm a coragem de mostrar isso, mesmo agora.

Não tem nada melhor do que assistir a uma série e pensar “Isso é tão eu” ou lembrar da história que uma amiga já te contou. Assistir aventuras e dilemas parecidos com os seus transforma a maneira que se consome seriados — assim como filmes, livros e músicas. Algumas tramas viram assunto nas rodas de conversa entre amigas ou despertam descobertas sobre o corpo, o sexo e a forma de lidar com as relações.

As séries dessa lista apresentam exatamente sobre isso: vivências diversas de mulheres que exploram suas vidas sexuais — mas também afetivas e profissionais — em meio ao caos, contradições e reviravoltas deliciosas (e às vezes dolorosas) da vida adulta. A seguir, Marie Claire indica 15 séries que tratam a sexualidade feminina como ela realmente é.

Valéria

Valéria — Foto: Divulgação
Valéria — Foto: Divulgação

A série espanhola é baseada na saga de livros de mesmo nome da autora Elisabet Benavent. Com quatro temporadas, conta a história de Valéria (Diana Gómez), uma escritora em crise criativa que decide escrever um livro erótico inspirado em sua própria vida. A trama entrelaça a história da protagonista com suas três melhores amigas, Carmen (Paula Maia), Lola (Silma López) e Nerea (Tereza Riott), que não têm pudores para falar sobre o que gostam de fazer na cama e o que querem experimentar. O sexo é retratado com uma necessidade feminina, sem idealizações forçadas ou moralistas.

Sex And the City

Sex And The City — Foto: Divulgação
Sex And The City — Foto: Divulgação

Dispensa apresentações, né? A icônica série dos anos 1990 foi quem abriu as portas da televisão no mundo todo para falar de sexualidade feminina. E o mais legal: de forma realista, com acolhimento, humor e sem julgamentos. Por mais que muitos pontos da série sejam considerados datados (como, por exemplo, os retratos da bissexualidade, dos homens gays e de travestis trabalhadoras sexuais), é inegável que SATC abriu portas para naturalizar narrativas de autodescoberta, desejo e prazer vividas por mulheres. Sem ela, arriscamos dizer que essa lista toda sequer existiria.

Os Normais

Os Normais — Foto: Divulgação
Os Normais — Foto: Divulgação

“Vou dar para o primeiro que passar.” Quem não leu a frase e conseguiu ver Vani (Fernanda Torres) de vestido branco, segurando um cartaz improvisado num papelão? Por mais que o momento seja do filme de 2003, a cena resume bem o que é Os Normais. Também protagonizada por Luiz Fernando Guimarães, a série narra as neuroses e delícias de um casal de classe média e conseguiu, por meio da personagem de Torres, expressar as frustrações, desejos e queixas de muitas mulheres que se relacionam com homens. Além da interpretação de Torres, os méritos para esse retrato também são de Fernanda Young, roteirista e uma das criadoras da série, que conseguiu gerar identificação pelas reflexões com um tom ácido e divertido que só ela sabia parir.

Girls

Girls — Foto: Divulgação
Girls — Foto: Divulgação

Criada e protagonizada por Lena Dunham, a série retrata a vida e sexualidade de mulheres com corpos e desejos reais — inclusive, alguns plots não têm medo de serem, por vezes, desconfortáveis. Ao longo das quatro temporadas, vemos Hannah (Dunham), Marnie (Allison Williams), Jessa (Jemina Kirke) e Shoshanna (Zosia Mamet) vivendo relações caóticas, sexo sem um pingo de glamour, inseguranças com o corpo e busca pelo prazer. A série coloca o corpo gordo nu nos holofotes e trata a sexualidade da mulher gorda como algo natural, sem torná-la motivo de piada ou superação.

Too Much

Too Much — Foto: Divulgação
Too Much — Foto: Divulgação

A produção marca a volta de Dunham para o mundo das séries. Diferente de Girls, segue a história de uma mulher vivendo dilemas típicos dos 30 e poucos anos. Jéssica (Megan Stalter) é uma produtora workaholic de Nova York que, após um término de noivado, se muda para Londres para tentar recomeçar. Aberta a novas experiências, conhece um músico underground e engata num possível romance, confuso e intenso. Inspirada na própria história de Lena, a série traz uma mulher gorda lidando com o sexo e desejo sem que o peso seja encarado com um obstáculo em suas relações.

Sobrevivendo em Grande Estilo

Sobrevivendo Em Grande Estilo — Foto: Divulgação
Sobrevivendo Em Grande Estilo — Foto: Divulgação

A série criada e protagonizada pela humorista Michelle Buteau conta a história de Mavis, uma mulher gorda, preta, com mais de 35 anos que tenta reconstruir sua vida amorosa e profissional como stylist depois do término de um relacionamento. O sexo é retratado como parte da vida real da protagonista, e seu corpo gordo nunca a impede de ser sexy, desejada e vivenciar o próprio prazer de diversas formas.

Grace and Frankie

Grace and Frankie — Foto: Divulgação
Grace and Frankie — Foto: Divulgação

Com sete temporadas, o seriado narra a vida de duas amigas, Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lily Tomlin), que veem tudo mudar completamente depois de seus respectivos maridos se apaixonarem entre si. O seriado foi extremamente celebrado pela maneira como retratou a sexualidade feminina na maturidade, trazendo assuntos como redescoberta sexual, masturbação e vibradores, por exemplo, de forma naturalizada. Por mais que o fim da série abra margem para queerbaiting, foi inegavelmente o frescor para a conversa sobre sexualidade com humor, permitindo que mulheres 50+ se vissem representadas e entendessem que a chegada da terceira idade não significa “se fechar” para o sexo e a autodescoberta.

Fleabag

Fleabag — Foto: Reprodução/BBC
Fleabag — Foto: Reprodução/BBC

Criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge, a série cativou corações pela forma escrachada, profundamente honesta e deliciosamente desconcertante como a personagem principal lida com dilemas familiares, de gênero e de pertencimento. A conversa sobre sexualidade aparece com muito humor e leveza ao longo das duas temporadas, sem se preocupar se está sendo moralmente correta — afinal, quem não sentiu nada pelo caos ardente que ela viveu com o Padre (Andrew Scott) na segunda temporada talvez tenha morrido por dentro.

Veneno

Veneno — Foto: Divulgação
Veneno — Foto: Divulgação

O seriado adapta a história real de Cristina Ortiz Rodríguez, precursora pela luta das travestis na Espanha e uma das primeiras a conquistar visibilidade em programas de TV. A série acompanha momentos de vida de La Veneno (interpretada por Daniela Santiago e Isabel Torres) e da jornalista Valeria Vegas (Lola Rodríguez), que com a convivência com Cristina se entende uma mulher trans. O sexo por aqui é abordado pela ótica das vivências de muitas travestis, da prostituição compulsória a se sentir amada na cama, sem fetichizações e com amor.

Insecure

Insecure — Foto: Divulgação
Insecure — Foto: Divulgação

Criada e estrelada por Issa Rae, a série retrata a vida amorosa, sexual e profissional de duas mulheres negras em Los Angeles, com muito humor e pé no chão. O sexo é visto com muita sensibilidade e varia entre muita sensualidade, momentos vergonha alheia ou algo que, simplesmente, só não foi tão gostoso assim; tudo isso sem fetichizar ou objetificar corpos negros e tratá-los como dignos de serem desejados com amor e paixão. Por mais que o foco esteja na vivência da mulher negra, as aventuras, dilemas e inseguranças das protagonistas são facilmente identificáveis por qualquer mulher que já tentou entender quem é e o que quer na vida adulta — ou que está no caminho para isso.

The L Word

The L Word — Foto: Divulgação
The L Word — Foto: Divulgação

Histórica, o seriado canadense estreou em 2004 e foi importante por representar as vidas de mulheres lésbicas e bissexuais. Não à toa, é vista como uma das melhores e mais importantes séries da televisão mundial e foi responsável pelo processo de autodescoberta de mulheres sáficas. Também foi disruptiva ao trazer cenas de sexo explícito entre mulheres de forma crua e prezando pela realidade — não para agradar o olhar masculino — e explorar as dinâmicas das relações entre mulheres queer.

Aline

Aline — Foto: Divulgação
Aline — Foto: Divulgação

A série brasileira foi exibida pela TV Globo entre 2009 e 2011 e trouxe Maria Flor, que vive Aline, em um relacionamento com Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling). Adaptada dos quadrinhos de Adão Iturrusgarai, foi importante por colocar na tela da maior emissora do país um retrato naturalizado sobre relações poliamorosas e prazer feminino. Por mais que tenha sido cancelada na segunda temporada, tem méritos por ter conseguido antecipar a visibilidade que relações não monogâmicas passariam a ganhar dali para frente — seja nas redes sociais ou na mídia — e por trazer uma personagem feminina de 20 e poucos anos refletindo sobre si mesma, o que quer ser e o que deseja.

I May Destroy You

I May Destroy You — Foto: Divulgação
I May Destroy You — Foto: Divulgação

Com uma pegada mais densa e sensível, a minissérie é uma autoficção em que Michaela Coel — criadora, roteirista e protagonista — transforma sua própria experiência de abuso sexual em narrativa. A trama acompanha Arabella, uma jovem escritora que tenta seguir sua vida depois do trauma e mergulha em muitas camadas de autoconhecimento, ressentimento e reconstrução da vida sexual e afetiva como um todo. É uma história desconfortável, mas muito necessária para entender como é o processo de retomada da própria sexualidade depois de uma violência.

Coisa Mais Linda

Coisa Mais Linda — Foto: Divulgação
Coisa Mais Linda — Foto: Divulgação

Ambientada nos Rio de Janeiro dos anos 1959, a série brasileira aborda assuntos elementares até hoje na vida das mulheres. Há espaço no meio desse turbilhão para falar do despertar sexual e da autonomia das mulheres em um período em que se impor era proibido. Elas lutam pelos seus direitos de viver livremente, amar e tomar as próprias decisões. A trama explora a repressão sexual dos casamentos tradicionais da época, masturbação feminina e reivindica o direito de amar quem quiser.

As Telefonistas

As Telefonistas — Foto: Divulgação
As Telefonistas — Foto: Divulgação

Com uma pegada que lembra uma boa novela de época, acompanha a vida de cinco telefonistas na primeira companhia telefônica de Madrid, antes da crise financeira de 1929. O sexo aqui (as cenas mostram tudo e mais um pouco) é um dos elementos vitais na narrativa de algumas das protagonistas, mas serve para simbolizar momentos específicos de suas vidas (como se sentir amada depois de se livrar de um relacionamento violento) ou se descobrir lésbica numa época em que ser LGBTQIAPN+ era crime na Espanha.

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