É possível ter orgasmo dormindo? Descubra os sinais e se você já teve um
Pode parecer só um sonho, mas é realidade: conversamos com mulheres que já sentiram esse tipo de prazer e ouvimos especialistas que explicam porquê isso acontece
Tem gente que fala dormindo, é sonâmbula ou tem sonhos ou pesadelos lúcidos. Outras gozam durante o sono. É o caso de Gisele*, 28 anos, que mais de uma vez percebeu que teve um orgasmo enquanto dormia. “No primeiro, senti contrações na região pélvica. Na segunda, acordei extremamente molhada”, lembra.
A dona de casa Giovanna*, 39 anos, já até sabe reconhecer os sinais da polução noturna (outro nome usado para descrever o fenômeno): coração acelerado, pulsação da região íntima, muita excitação e lubrificação. “É sempre a mesma coisa. Acontece com frequência, principalmente quando estou no período fértil”, conta.
A cantora Zay Nascim, 36 anos, experimenta isso mais quando está menstruada. “Da última vez, dormi pensando na mulher que gosto. Acordei no meio da madrugada gozando, mas não me lembro de ter tido sonhos eróticos com ela”, relata.
Por mais curioso que possa parecer, ter um orgasmo durante o sono pode acontecer mesmo sem ter um estímulo direto que gerem prazer. Ou seja, é não intencional e perfeitamente normal. A tal da polução noturna é muito mais conhecida entre homens. Na Pesquisa Nacional de Saúde e Comportamento Sexual, feita pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, em 2014, 41,8% das mulheres relataram já terem tido um orgasmo durante o sono, enquanto entre os homens esse número sobe para 66,3%.
Mas as mulheres também podem vivê-la. Ainda são poucas as pesquisas recentes que abordam esse tema, mas os famosos “sonhos molhados” das mulheres começaram a ser estudados em 1953, quando o pesquisador norte-americano Alfred Kinsey publicou o livro Sexual Behavior in the Human Female (Comportamento Sexual de Mulheres Humanas, em tradução livre), em que abordou o assunto. Nessa época, 40% das entrevistadas relataram ter tido um ou mais orgasmos enquanto dormiam.
Por que é possível ter orgasmo dormindo?
Sarita Milaneze, sexóloga e educadora sexual, explica que o orgasmo que acontece no sono é uma espécie de parassonia, que são “eventos físicos ou experiências indesejáveis que ocorrem durante o estado de sono REM” e totalmente saudáveis.
Os gatilhos variam de pessoa para pessoa, mas normalmente é fruto do inconsciente que se liberta enquanto se está dormindo. “Pode acontecer por conta de desejos sexuais reprimidos que a mulher tem e que vêm à tona durante os sonhos. No caso de mulheres sexualmente ativas, pensar muito em uma pessoa ou fantasia pode fazer com que vivencie enquanto dorme — o que pode causar o orgasmo”, explica.
Gisele conseguiu mapear que, no caso dela, todos os orgasmos noturnos foram resultado de um sonho em que transava com outra pessoa; mas também quando ela dorme de barriga para baixo, já que o atrito da cama no corpo acaba estimulando o corpo de uma forma prazerosa.
Milaneze explica que este segundo caso é chamado de “orgasmo inconsciente”. Ele acontece quando diversos sistemas cerebrais acontecem ao mesmo tempo. “Esses gatilhos cerebrais geram respostas no corpo, como taquicardia, contração involuntária do assoalho pélvico e, possivelmente, lubrificação”, afirma.
Quando ter orgasmos dormindo vira um problema?
Milaneze reforça que é comum e saudável ter orgasmos durante o sono. Gozar dormindo só é preocupante quando existe uma frequência excessiva ou, paralelamente a isso, há um quadro de transtorno do sono.
“A sexônia [distúrbio do sono raro que consiste em comportamentos sexuais inconscientes] é um exemplo. Além de sentir prazer, a pessoa se masturba sem perceber e acorda sem lembrar de nada. É como um sonambulismo”, diz.
É o caso de Zay Nascim, no abre desta reportagem. Ela foi diagnosticada com transtorno da excitação genital persistente (PGAD), que consiste em uma excitação intensa que vêm em momentos inesperados, sem estímulo sexual. Isso explica porque gozar enquanto dorme é tão comum para ela, já que acontece em diferentes momentos do dia sem que ela possa controlar. “Já aconteceu de eu ter um orgasmo atrás do outro enquanto acordava.”
Nessas situações, é preciso buscar um tratamento especializado para investigar. “No caso da sexônia, o tratamento mais indicado é com o neurologista. Já a PGAD, o ideal é uma abordagem combinada: fisioterapia pélvica, terapia e, em alguns casos, o uso de medicamentos”, finaliza Milaneze.









