Meia hora de prazer sem perder a amizade: o que mulheres pensam sobre sexo com amigos?
Vale a pena arriscar a amizade para matar o tesão naquele amigo próximo? Essa pesquisa explica que as mulheres estão mais abertas a isso do que se imagina
Quem nunca desejou transar com um amigo próximo que atire a primeira pedra. A ideia de misturar amizade e sexo sempre divide opiniões: tem quem jure que ajuda a fortalecer o laço, enquanto outros defendem que só serve para estragar a relação. Apesar da crença popular de que sexo entre amigos quase nunca dá certo, dados recentes sugerem que as mulheres estão mais abertas para essa experiência.
Uma pesquisa feita em 2025 pelo aplicativo de relacionamento Flirtini, com 2 mil pessoas nos Estados Unidos, investigou como homens e mulheres encaram a possibilidade de transar com um amigo: 69% das mulheres afirmaram já ter vivido uma relação casual com uma pessoa amiga. Entre os homens, 47% dizem o mesmo. Entre os que dizem nunca ter ido para cama com um amigo, estão 26% das mulheres e 29% dos homens.
Os dados também apontam que a atração entre amigos não costuma ficar em segredo. Para 46% das mulheres e 32% dos homens, existe a certeza de que um de seus amigos já quis transar com eles em algum momento. Já entre os que não têm tanta certeza, estão 31% das mulheres e 44% dos homens — o que indica que poucas pessoas descartam completamente a possibilidade do tesão entre amigos existir.
Transar com um amigo pode acabar com a amizade?
O medo de acabar com a amizade continua sendo um fator decisivo para 31% das mulheres escolherem não ir para cama com um amigo. Ainda assim, 60% delas disseram que dá para transar com um amigo e manter só o sexo casual, sem evoluir para um relacionamento.
Na análise da sexóloga Michelle Sampaio e integrante da Diretoria Executiva da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), esse dado ajuda a desmistificar uma ideia bastante comum sobre o comportamento feminino: “Quebra a ideia de que uma mulher sempre vai misturar as coisas ou se envolver emocionalmente."
Para ela, os números indicam um aumento da consciência emocional e sexual das mulheres. “Ter um desejo erótico não significa ter um planejamento de relação. Cada vez mais, as mulheres estão conseguindo separar isso.”
Por outro lado, existe um certo realismo envolvido nesse receio de perder a amizade. Entre homens e mulheres, 51% acreditam que uma relação de amizade colorida pode, sim, evoluir para um relacionamento em algum momento — o que ajuda a explicar por que tantas pessoas entram nesse tipo de acordo com regras claras ou expectativas bem alinhadas.
Porque as mulheres transam mais com amigos do que os homens?
Para Sampaio, o fato do sexo com amigos aparecer com tanta força nos relatos femininos tem relação com a ideia de que muitas tendem a entender a conexão emocional como um gatilho erótico.
“Às vezes, algumas mulheres enxergam como uma certa previsibilidade por já ter encontrado esse tipo de conexão íntima em outra amizade. Por isso, no momento que se deparam com a situação novamente, o desejo desperta mais”, diz Sampaio.
“Se ainda estivermos solteiros aos 40, vamos casar?”
A pesquisa investigou os acordos informais bastante populares: os pactos de casamento. A ideia de combinar de se casar com um amigo próximo, caso ambos estejam solteiros no futuro, aparece com mais força entre as mulheres. Segundo o levantamento, 40% delas dizem já ter feito esse tipo de pacto com um amigo próximo, enquanto apenas 16% dos homens entraram na brincadeira.
O que acontece depois que o tesão passa?
A ressaca moral e o arrependimento podem até existir depois de uma noite de prazer com um amigo, mas não necessariamente domina a narrativa. Um em cada cinco dos entrevistados (entre mulheres e homens) admite ter se arrependido, embora diga que repetiria a experiência se tivesse a chance. A rejeição é minoria: apenas 14% das mulheres e 5% dos homens afirmam que gostariam de nunca ter transado com um amigo.
Entre quem já viveu a situação, 26% das mulheres afirmam que o sexo não mudou nada na amizade. Em alguns casos, o efeito foi até positivo: 34% delas disseram que sentiram a relação ficar mais forte.
O que os dados buscam mostrar é que o sexo entre amigos é menos catastrófico do que o senso comum costuma sugerir — especialmente entre as mulheres. A amizade colorida surge como uma possibilidade real nas relações contemporâneas, ainda que exija diálogo claro e disposição para lidar com as possíveis consequências em deixar o tesão escapar.









