Nem solteiras, nem "substituição do sexo": quem mais compra brinquedos eróticos no Brasil são os casais
Levantamento aponta que vibradores viraram ferramentas de conexão e novos estímulos em relações estáveis. Preço elevado e vergonha ainda são as principais barreiras para o consumo
Os sex toys deixaram de ser objetos cercados por vergonha e ganharam o status de desejo de consumo. Essa mudança de percepção foi tão significativa que chegou a gerar debates (nem sempre muito maduros) sobre mulheres “substituírem” homens por brinquedos sexuais. Mas longe de ocupar um único lugar, os vibradores e brinquedos eróticos circulam em diversos momentos da vida sexual feminina.
Uma pesquisa realizada em 2025 demonstra que 46% das pessoas participantes — a maioria mulheres (70%) — usam sex toys e vibradores tanto a sós quanto acompanhadas. O levantamento foi realizado com mil pessoas pela Dona Coelha, loja especializada em produtos de sexual wellness.
A sexóloga e ginecologista Thais França de Araújo entende que os dados ajudam a indicar que as mulheres se sentem cada vez mais livres para buscar a própria satisfação sexual. “Isso reflete um movimento de maior autoconhecimento sexual e de valorização do prazer feminino”, aponta.
Qual é o perfil de quem compra brinquedos eróticos?
A pesquisa aponta que a maioria dos entrevistados que têm ao menos um brinquedo erótico é casada ou está em união estável (42%). Em seguida estão as pessoas que namoram (29%) e só depois as solteiras (25%).
Esse resultado se soma ao indicativo de que sex toys para casais estejam entre as tendências dentro do mercado de produtos sexuais. Araújo explica que os brinquedos eróticos passaram a ser encarados como um complemento da experiência sexual e atendem ao desejo de experimentar novos estímulos. Ou seja, passa longe de uma substituição da parceria.
“Os casais usam sex toys como ferramentas para melhorar a comunicação sexual, lidar com diferenças de desejo ou fases da vida. Já entre as solteiras, o uso costuma estar mais ligado ao autoconhecimento e à autonomia sexual.”
Preço, vergonha e falta de conhecimento influencia a compra de brinquedos eróticos
Apesar de cada vez mais populares, os sex toys ainda enfrentam resistência de consumo. O principal motivo que leva uma pessoa a não comprar um sex toy é o preço elevado — apontado por 63,1% dos entrevistados. Araújo entende que custo alto reforça a percepção de que esses produtos são um luxo ou algo que não entra na lista de prioridades do dia a dia. Isso afasta mulheres de renda mais baixa, que passam a entender que aquele tipo de produto “não serve para elas” — mesmo tratando-se de prazer e bem-estar.
A falta de conhecimento, citada por 28,7%, também pesa na decisão. A vergonha e o medo de julgamento foram apontados por 15%, o que “revelam que a educação sexual ainda é falha e cheia de desinformação”, na visão de Araújo.
Na clínica, a sexóloga observa que há mulheres que ainda sentem culpa por investir tempo, dinheiro ou energia no próprio prazer. “Quando recebem informação de qualidade, acolhimento e orientação adequada, essa barreira cai rapidamente. A Informação segura continua sendo a principal ferramenta de libertação sexual”, finaliza.









