O esporte mais sexy do momento é o hóquei (e parte da culpa é de "Rivalidade Ardente")
Impulsionado pelo sucesso de Rivalidade Ardente e trends picantes nas redes sociais, o gelo nunca esteve tão quente. Entenda o fenômeno que fez as buscas (e o desejo) por atletas dispararem
Acredite: o hóquei é o novo sexy. Pode ser que você nunca tenha assistido a uma partida até o final, mas é provável que já tenha se deparado, enquanto rola o feed, com alguma cena da série Heated Rivalry (ou Rivalidade Ardente como foi adaptada no Brasil), que se tornou uma das mais assistidas dos Estados Unidos, em que dois jogadores de times rivais esbanjam tensão sexual dentro e fora do ringue.
A estreia dos primeiros episódios da série por aqui ajudou a colocar o esporte em um patamar mais picante e desejável. Dados divulgados no final de janeiro pelo Pornhub, maior site de conteúdo adulto do mundo, mostram que houve um crescimento de 617% nas buscas pelo termo “hóquei” depois de Rivalidade Ardente. As mulheres se interessaram mais: as buscas pelo esporte aumentaram 273% entre elas, e 148% entre homens.
Durante o boom da série, o site SeatGeek indicou que as vendas de ingressos individuais para jogos da National Hockey League (NHL) aumentaram 13,5% em comparação a 2024 — o maior crescimento da história, segundo o levantamento. Duas semanas depois da estreia de Rivalidade Ardente, o preço médio dos ingressos subiu de US$ 127 para US$ 142.
Mesmo com o aumento expressivo, reduzir o crescimento do sex appeal em torno do esporte ao sucesso do seriado seria simplista. Um indicativo disso é que nos últimos anos, as redes sociais foram tomadas por hashtags com milhares de vídeos que fetichizam os jogadores de hóquei — um fenômeno que, apesar do hype, tem causado controvérsias.
Da literatura ao pornô: por que o hóquei é o novo sexy?
Parte do interesse sexual no hóquei passa pela estética do esporte. Se à primeira vista os uniformes não parecem ter nenhum apelo, isso muda depois de entender que, ali, há uma mescla de subjetividade e mistério que aguçam a curiosidade.
Corpos moldados por treinos intensos para suportar impactos constantes e a vontade de saber o que existe sob o uniforme e as várias camadas de equipamentos de proteção. Some isso ao contato físico intenso no jogo, as mãos que seguram os tacos com firmeza, as disputas coladas ao vidro do ringue e até os movimentos de alongamento no gelo.
“Que um jogador de hóquei entre na minha vida”, “Meu lugar favorito é simplesmente curtir um show no aquário de garotos”, “Adoro ver eles se alongando antes da partida”, são alguns dos comentários feitos por mulheres em vídeos de jogadores no Tik Tok.
É dentro deste cenário já existente que Rivalidade Ardente alcançou rápido sucesso. A adaptação do romance LGBTQIA+ de mesmo nome, escrito por Rachel Reid, acompanha a relação proibida entre dois jogadores de times rivais fictícios da NHL.
A trama dedica pouco tempo às partidas e aposta mais na tensão sexual entre os protagonistas. Com uma narrativa que mistura a adrenalina dos encontros secretos entre campeonatos com cenas explícitas de sexo que fizeram a cabeça dos espectadores nos últimos meses. O hype foi tão estrondoso que fez a série atingir uma média de mais de 10,6 milhões de espectadores por episódio, só nos Estados Unidos.
Os primeiros episódios chegaram ao Brasil no começo de fevereiro pela HBO Max, mas o boca a boca foi tamanho que a série não conseguiu escapar da pirataria antes da estreia oficial. O penúltimo episódio, aliás, tornou-se um dos mais bem avaliados de todos os tempos no IMDB, empatando com alguns episódios de Breaking Bad.
O romance entre os personagens não é um caso isolado. Uma busca rápida por “hóquei romance” na Amazon exibe mais de mil resultados para livros e contos que têm o esporte como pano de fundo. Inclusive, outra saga de romance hot com jogadores de hóquei, chamada Amores Improváveis (Off-Campus, no título original), já tem adaptação confirmada para o Prime Vídeo.
“Boys aquarium”: o tesão no hóquei viraliza nas redes sociais
Nas redes sociais, especialmente no TikTok, o ringue de hóquei ganhou até um apelido sugestivo: “boys aquarium” (aquário de garotos, em tradução livre), que referencia o vidro de proteção que separa os jogadores e a torcida. A hashtag do termo soma oito mil publicações, a maioria mostrando mulheres simulando “alimentar” os atletas durante as partidas, como se fossem peixes.
Em outra trend recorrente, mulheres vão às partidas de hóquei e se gravam dizendo “quando é que eles se beijam?”. Já em hashtags mais amplas, como “hoquey boys”, há 500 mil vídeos que vão de cenas da série até edits sensuais de jogadores de hóquei da vida real. Também viralizam vídeos de atletas se alongando no gelo, em movimentos que lembram “anjos de neve” feitos com as pernas, em que o balanço da pelve sugere movimentos de penetração associados ao sexo — e é daí que surge o apelo sexual da coisa.
Essa conduta, porém, também é alvo de críticas. Em 2023, Felícia Weeren, esposa do então jogador do Seattle Kraken Alex Wennberg, criticou a forma com que as pessoas falavam do seu marido na internet, e classificou o comportamento como “sexualização e atitude predatória”.









