Qual a diferença entre poliamor e um relacionamento aberto? Saiba o que muda
Embora os dois modelos de relacionamento permitem que mais de duas pessoas façam parte da vida afetiva e sexual de alguém, existem diferenças cruciais entre eles, tanto emocionais quanto sexuais
Nos últimos anos, as conversas sobre relacionamento que fogem dos modelos tradicionais ganharam espaço. O tema aparece em discussões nas redes sociais, fóruns, novelas e até em realities como Terceira Metade, apresentado por Déborah Secco. Termos como poliamor, relacionamento aberto e não monogamia passaram a circular com mais frequência, mas ainda trazem dúvidas.
Afinal, um casal que se ama pode decidir que, se tiver vontade, pode sair e se relacionar com outras pessoas. Isso é poliamor ou relacionamento aberto? E quando existe envolvimento emocional com mais de uma pessoa? Essas são só algumas das perguntas que podem surgir.
Apesar de os dois modelos romperem com a ideia de exclusividade sexual e afetiva, existem algumas diferenças importantes em como cada um deles é construído e vivido.
Qual é a diferença entre poliamor e relacionamento aberto?
Estar em um relacionamento aberto significa ter uma parceria fixa, que pode ser um namoro ou casamento, mas sem exclusividade sexual. Ou seja, o casal continua junto, mas permite que cada pessoa tenha sua própria autonomia para transar com outras, desde que respeite os combinados estabelecidos entre eles.
Essas regras podem variar de casal para casal. Algumas pessoas preferem saber com quem a parceria está saindo; outras optam por não saber de nenhum detalhe. Há relações em que as transas precisam ser comunicadas antes, enquanto outras funcionam com mais liberdade. Ainda assim, o vínculo principal continua sendo o do casal.
Já no poliamor, a lógica é diferente. A idéia é que uma pessoa possa ter mais de um relacionamento amoroso ao mesmo tempo, sem que exista uma relação central. São relações que não envolvem só sexo casual, mas vínculos afetivos, compromisso e até planos de vida.
No poliamor, é comum conhecer pessoas que têm mais de um parceiro fixo ao mesmo tempo. Em alguns casos, todos se conhecem e formam configurações como trisais, quadrisais e redes de relacionamentos. Em outros, as relações existem de forma paralela, sem que as pessoas envolvidas interajam entre si.
Poliamor e relacionamento aberto fazem parte da não monogamia?
Pessoas adeptas ao poliamor podem se considerar não monogâmicas, já que o modelo envolve múltiplos vínculos amorosos consensuais. Já quem está em um relacionamento aberto pode ou não se identificar como não monogâmico.
Algumas pessoas podem se enxergar dentro de uma estrutura monogâmica — com um casal principal —, mas ter liberdade sexual fora da relação. Outras preferem usar o termo não monogamia consensual, que descreve relações em que os parceiros mantêm transparência e consentimento sobre as relações fora do casamento ou namoro.
Apesar das diferenças, os dois modelos têm em comum a comunicação clara, consentimento e combinados entre os envolvidos para tudo funcionar de forma saudável.
Uma breve história sobre o poliamor
Embora a ideia de manter múltiplos vínculos afetivos ou sexuais exista há muito tempo em diferentes culturas e comunidades, a palavra poliamor é relativamente recente.
O termo polyamory surgiu no início dos 1990, em um artigo da sacerdotisa pagã Morning Glory Zeli-Revenheart chamado “Um Buquê de Amantes”, publicado na revista Green Egg. A expressão surgiu como uma forma de alternativa à palavra poligamia, que era usada para se referir à prática de ter múltiplos casamentos formais
Já o poliamor passou a designar algo diferente: a possibilidade de manter múltiplos relacionamentos consensuais além do namoro ou casamento.
Ao longo da década de 1990, o conceito começou a ganhar mais visibilidade, especialmente em comunidades que discutiam modelos de não monogamia consensual. Um dos marcos dessa popularização foi o livro The Ethical Slut (algo como A Puta Ética em português), de Dossie Easton e Janet Hardy, publicado em 1997.
Mais recentemente, pesquisas indicam que o interesse por modelos não monogâmicos vem crescendo. Um levantamento realizado pelo aplicativo de relacionamentos Gleeden em 2023 com mais de mil brasileiros apontou que 20% se consideram adeptos do poliamor. Apesar do número ser pequeno, sinaliza uma abertura maior para discutir novas formas de se relacionar.
Uma breve história sobre o relacionamento aberto
O conceito de relacionamento aberto começou a ser citado por volta de 1970. Um dos marcos da popularização foi o livro Open Marriage (Casamento aberto, em português), dos sociólogos Nena e George O’Neil, que discutia formas de relacionamento mais flexíveis do que a tradicional.
Os autores usavam o termo “casamento aberto” para defender uma relação baseada na autonomia, comunicação e desenvolvimento individual. Com o tempo, porém, a expressão passou a ser associada à ideia de casais que permitem envolvimentos sexuais com outras pessoas.
O tema também passou a ser estudado por pesquisadores das áreas de sociologia e sexualidade. O sociólogo Robert T. Francoeur, por exemplo, analisou o relacionamento aberto em The International Encyclopedia of Sexuality (1997), e descreveu o modelo de relação como uma forma de não-monogamia consensual.
Em algumas comunidades, o relacionamento aberto também aparece associado ao chamado relacionamento liberal. Essa abertura e autonomia pode ser aproveitada para realizar fetiches como o swing, exibicionismo, voyeurismo e cuckold e cuckquean. Dependendo dos combinados, as pessoas podem sair separadamente ou optar por viver experiências sexuais juntos.









