Sexo
Por
redação Marie Claire
— São Paulo (SP)

Se masturbar às vezes pode se tornar uma coisa automática — ei, a gente ama, mas não dá para negar os fatos. É que por mais que ela seja incrível e ajude em inúmeras coisas, pode acontecer de cairmos na mesmice. Ou ainda: até isso fazemos correndo. Mas existe uma vertente chamada masturbação consciente, que visa unir prazer ao mindfulness para que você possa sentir tudinho e ainda entender os caminhos do corpo no orgasmo. É muito parecida, por exemplo, com a masturbação guiada ou a massagem orgástica — que já testamos e contamos como funciona.

O que é masturbação consciente e como ela se diferencia da comum?

A terapeuta sexual Tamara W. Zanotelli explica que a grande diferença entre a masturbação consciente e a comum está na intenção. O que ela observa é que, geralmente, a masturbação comum tende a ter foco no orgasmo, alívio e satisfação sexual. Para quem não tem um contato tão próximo com o corpo, tende a ser um momento rápido e automático, sem prestar muita atenção às sensações físicas e emocionais.

Na masturbação consciente, o foco muda. “Estamos falando em praticar com muito mais intenção e atenção. Normalmente, a graça está na sensação corporal para explorar mais, ganhar autoconhecimento e realmente ampliar o prazer”, explica a sexóloga. Ou seja: é muito mais sobre a forma de chegar ao orgasmo do que, efetivamente, gozar.

A respiração é o grande diferencial da experiência. “O foco sensorial trabalha a pulsação do corpo, e respirar conscientemente e de forma lenta amplifica a modulação do pulmão.” Ao oxigenar mais o corpo, as veias bombeiam mais sangue e relaxam tanto o corpo quanto a cabeça. Para conseguir ficar consciente a todo o momento, o ideal é optar por espaços totalmente isolados, sem chance de interrupção e com um clima relaxante e introspectivo — luzes baixas e óleos essenciais de aromas afrodisíacos podem ser diferenciais para imergir na experiência.

Quais os benefícios da masturbação consciente?

Zanotelli indica que há um aumento de conexão do corpo e autoconhecimento, além da possibilidade de ampliar a possibilidade de estímulos, tanto em forma quanto intensidade. Também pode ser aliada no tratamento de disfunções sexuais, como dor na relação sexual ou falta de controle da ejaculação.

Transtornos de comportamento e saúde mental

Zanotelli diz que há ganhos para pessoas com dificuldade para relaxar, sobretudo pessoas que lidam diariamente com estresse ou têm algum transtorno comportamental, como a ansiedade. Ela coloca a masturbação consciente como benéfica para reduzir a tensão, promove mais relaxamento e regular os sistemas nervoso e parassimpático. “Também observamos uma melhora em quadros de insônia, porque a prática torna mais fácil adormecer depois de liberar a tensão física acumulada.”

Disfunções sexuais

Quadros de ejaculação precoce, disfunção erétil, dificuldade para chegar ao orgasmo (chamada de anorgasmia) são alguns que podem encontrar benefícios na prática. O mesmo pode ser dito para quem tem dificuldade para se conectar com a própria libido. Isso porque a masturbação consciente pode reconectar o corpo da pessoa ao próprio prazer, deixando de lado a preocupação do desempenho para dar espaço a sentir o prazer de forma completa e presente. Nos casos de dor crônica e dor durante o sexo (dispareunia), as técnicas podem ajudar no mapeamento das suas zonas erógenas — ou seja, o que e como você gosta de ser tocada.

Manejo de compulsão sexual

Sim, ter conhecimento e autonomia suficiente para curtir o sexo e o prazer é ótimo, mas há quadros em que a libido pode interferir, como no caso de pessoas com parafilias (não confundir com fetiches e fantasias sexuais praticadas conscientemente e de forma saudável, ok?) ou que vivem episódios de compulsão sexual. Zanotelli indica que, nestes cenários, a masturbação consciente pode ajudar a regular o quadro junto de psicoterapia. “Se usam as práticas para regular a presença, ao contrário dos impulsos automáticos.”

Pessoas na menopausa

Secura, queda de libido e dor são queixas frequentes para algumas mulheres na menopausa que querem manter a vida sexual ativa. Nestes casos, a masturbação consciente também pode dar conta de regular questões hormonais, mesmo. “Sabemos que manter a conexão sexual e o tônus genital é muito importante para o nosso corpo e acaba fazendo com que a pessoa adapte práticas ao próprio corpo dela, mesmo passando por um processo de mudança.”

Pessoas que viveram abuso sexual e lidam com trauma

A masturbação consciente pode ser uma opção para quem deseja reconstruir a vida sexual depois de viver uma violência e tem histórico de abusos. Nestes casos, é necessário ter cuidado redobrado e ter um acompanhamento ainda mais rígido. “Isso porque a prática pode desencadear várias lembranças, inclusive negativas”, explica Zanotelli. Qualquer maneira de lidar com a sexualidade é válida, sobretudo depois de um episódio traumático. A masturbação consciente pode ser útil para retomar o senso de controle do próprio corpo, ressignificar o toque e entender formas de conexão e prazer sentindo-se em segurança. Vale lembrar: ela precisa ser feita junto de acompanhamento psicoterapêutico contínuo.

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