Quem foi Rachel Carson, bióloga que é considerada a 'mãe' do movimento ambientalista moderno
Bióloga, naturalista e escritora lançou livro polêmico criticando uso em massa de pesticidas destrutivos, em 1962, foi perseguida e influenciou todo um movimento de defesa do meio ambiente
O movimento ambientalista só existe hoje como conhecemos por conta de uma figura que muitas vezes é esquecida -- ou melhor, apagada -- da nossa história. Como tantas outras mulheres, Rachel Carson não teve o reconhecimento que mereceu, apesar de ser considerada a mãe da defesa do meio ambiente e da ideia de que nós formamos o mesmo sistema.
Rachel Carson decidiu estudar Biologia após trocar de curso no seu penúltimo ano de faculdade e abandonar o inglês. Ela se formou com honra em 1929 e conquistou um Mestrado em Ciências, com foco em Zoologia e Genética, pela Universidade John Hopkins. Depois, se tornou professora na instituição e passou a atuar também na Universidade de Maryland.
Ao longo de sua trajetória, ela publicou três livros. O primeiro deles, Under the Sea-Wind, que versa sobre a história do oceano, ela escreveu enquanto trabalhava no Bureau of Fisheries escrevendo panfletos científicos para o público. Ele foi lançado em 1941. Dez anos depois, a editora-chefe das publicações do departamento, o que já era inédito para uma mulher, lançou o título The Sea Around Us, que se consagrou na lista de best-sellers do The New York Times por alguns meses.
No ano seguinte, pediu demissão do seu emprego no governo e se mudou para o Maine. Lá, conduziu uma pesquisa sobre ecossistemas de piscinas de maré, dando origem ao último livro da sua antologia sobre o oceano, The Edge of the Sea, disponibilizado em 1955.
Os títulos deram a Carson um lugar de destaque no mundo intelectual. Por isso que, um tempo após se mudar para Maryland, ela passou a trabalhar em um livro chamado Silent Spring (Primavera Silenciosa, em tradução livre para o português). Publicado em 1962, a obra explora a destruição da natureza pela humanidade, dando destaque para o uso em massa de pesticidas destrutivos, incluindo DDT, independentemente dos malefícios e efeitos colaterais da prática para o meio ambiente.
Nele, a autora ainda defende uma interconexão entre todos os seres vivos, explicando como que os pesticidas aplicados em árvores iriam afetar os pastos das vacas, que acabariam contaminando o suprimento do leite humano, e assim por diante. Sem propor uma postura radical, Carson defendeu uma abordagem mais consciente em detrimento do abandono completo do uso de pesticidas.
Rachel Carson inspirou movimento a favor de nova relação com meio ambiente
Isso foi o suficiente para que ela chamasse bastante atenção -- para melhor ou para pior. O livro vendeu mais de 600.000 cópias em um ano e inspirou a criação da Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos).
Só que a represália veio com força: a indústria química investiu centenas de milhares de dólares em tentativas de descredibilizar Carson e sua pesquisa, fazendo de tudo para que o pensamento ambientalista não prosperasse e acabasse com seus planos e, lógico, lucros. O presidente Kennedy, por sua vez, criou o Presidential Science Advisory Committee para investigar a tese de Carson. No entanto, o comitê acabou reconhecendo o trabalho dela e concordou com os argumentos a respeito do abuso de pesticidas.
Esse pioneirismo em criticar toda uma indústria e, ao mesmo tempo, propor uma nova forma de se relacionar com o meio ambiente acabou marcando o lugar de Rachel Carson na história, tendo seu legado refletido até hoje em todos os ativistas do movimento ambientalista moderno. Ainda que muitos não saibam a história da bióloga e seu trabalho, sua luta segue vibrando, de forma bem menos silenciosa do que a primavera analisada por ela.









