Na internet, 1 em cada 3 mulheres já se relacionou com perfis fakes; 42% têm preocupações com redes sociais
Pesquisa encomendada por Marie Claire e feita pela Toluna mapeia a segurança de mulheres na internet brasileira. Dados expõem ressalvas com redes sociais e Inteligência Artificial e incidências de violência de gênero online
Por Camila Cetrone, redação Marie Claire — São Paulo
Uma em cada três mulheres no Brasil já teve um relacionamento, amoroso ou de amizade, com um perfil fake na internet. É o que aponta uma pesquisa que mapeia a segurança das mulheres brasileiras online, encomendada por Marie Claire e realizada pela Toluna, empresa especialista em insights e pesquisa de mercado.
A pesquisa, que ocorreu entre 26 de agosto e 11 de setembro de 2023, ouviu 503 mulheres entre 18 e 55 anos, de todas as regiões do Brasil e entre as classes sociais A e DE. Delas, 28,23% afirmaram que já se envolveram online com uma pessoa que fingia ser quem não era, e usaram de outra identidade e história para atraí-las.
Para 20% delas, a pessoa por trás do perfil pediu favores financeiros ou dinheiro e, depois, sumiu. Destas, 16,9% não enviaram a quantia desejada, e 3,18%, sim.
O levantamento também identificou incidências de violência de gênero na internet; além de preocupações com usos de redes sociais e com o desenvolvimento acelerado da Inteligência Artificial (IA).
As respondentes também abordaram a incidência de deep nudes, que são imagens manipuladas sem conhecimento de uma mulher para fazer montagens de fotos nuas, com um resultado muito mais aproximado da realidade. Na última semana, a atriz Isis Valverde foi vítima deste tipo de crime: uma montagem “retirou” o biquíni que ela usava em uma foto postada nas redes sociais. A atriz realizou um boletim de ocorrência.
Insegurança nas redes sociais
Ao usar a internet, 45,33% das mulheres afirmam que, geralmente, se sentem seguras usando as redes sociais, mas que sentem algumas preocupações enquanto usam as redes sociais. O mesmo vale, especificamente, para as redes sociais: 42,54% mantêm a mesma postura e 31,61% se sentem um pouco inseguras, mas continuam usando as plataformas mesmo assim. Em relação a internet de modo geral, somente 11,13% se sentem completamente seguras e 2,39%, completamente inseguras.
Violência de gênero na internet
36% das respondentes apontam que já foram vítimas de algum tipo de violência pelo fato de serem mulheres enquanto usavam a internet. Xingamentos e ofensas representam 69,23% dos crimes dos quais foram vítimas, seguido de assédio sexual ou moral (52,75%).
Os crimes de ameaça, stalking (perseguição) golpe empatam em 26,37%. Em todos os casos, a maioria das mulheres não sabe identificar quem foi o autor das violências. Destes, o crime de ameaça e stalking são os que as mulheres mais sabem identificar quem são os autores.
Depois de serem vítimas, a principal alternativa que aderem é bloquear e denunciar o autor (59,7%), seguido de ajuste nas configurações de privacidade das contas delas (51,12%). Elas também excluíram as contas das redes sociais relacionadas (18,28%), buscaram orientação de organizações ou profissionais especializados (13%) e buscaram apoio de amigos e familiares (10,45%). Cerca de 9% não tomaram nenhuma medida específica.
Inteligência Artificial e deep nude
A pesquisa identificou que mais da metade das mulheres têm preocupações de que o desenvolvimento acelerado da IA possa aumentar os índices de violência de gênero na internet. No entanto, 53,88% acredita que a ferramenta possa trazer alternativas para combater esse tipo de conduta.
O avanço da IA permite que sejam geradas imagens artificiais de pessoas como se fossem reais, o que tornou possível o desenvolvimento das deep nudes. Na pesquisa, 5,17% das respondentes afirmam terem sido vítimas, e 4,37% afirmam não saber ou não lembrar.
Denúncia de crimes digitais contra mulheres
Das vítimas que identificaram as violências, 31% levaram o caso à polícia; mas, na maioria dos casos, as mulheres optaram por não fazer a denúncia, mesmo que queiram. Das que denunciaram, apenas 15 mulheres afirmam ter recebido alguma ação concreta. As que não tiveram amparo das autoridades apontam que o processo da denúncia foi complicado ou pouco claro, que houve falta de ação efetiva por parte das autoridades ou ouviram que as provas que tinham eram insuficientes para abrir um inquérito.









