Primeira-ministra da Islândia participa de greve contra desigualdade de gênero
Estima-se que cem mil mulheres e pessoas não binárias aderiram ao protesto desta terça-feira, a maior manifestação da história do país
Por Redação Marie Claire
Cem mil mulheres e pessoas não-binárias na Islândia aderiram a uma greve de um dia nesta terça-feira (24), para protestar contra a desigualdade de gênero no local de trabalho. Foi o maior protesto já feito no país e contou com a participação da primeira-ministra, Katrín Jakobsdóttir. A greve exigiu interromper qualquer atividade de trabalho, incluindo tarefas domésticas e de cuidado.
Segundo organizadores, o protesto causou paralisações por todo o país e fechamento de escolas e creches. Apenas um banco ficou aberto.
"Meu sonho é que a gente alcance a igualdade de gênero antes de 2030, mas sei que requer muito esforço. Temos feito mudanças na legislação para abordar as questões de diferença salarial entre homens e mulheres, violência de gênero e assédio sexual, e vamos avançar ainda mais", afirmou a primeira-ministra ao jornal inglês The Guardian.
Jakobsdóttir citou dados da ONU, que estimou o prazo de 300 anos para atingir esse cenário de equidade. "Isso simplesmente não é aceitável", afirmou.
Freyja Steingrímsdóttir, porta-voz da Federação Islandesa dos Trabalhadores Públicos, a maior federação de sindicatos de trabalhadores públicos do país, declarou que a Islândia é líder global em igualdade de gênero, "mas ainda tem um longo caminho a percorrer”, em fala ao jornal The New York Times.
"A Islândia é frequentemente vista como uma espécie de paraíso da igualdade", disse Steingrímsdóttir, uma das organizadoras da greve. "Se quisermos estar à altura desse nome, precisamos avançar e realmente ser o melhor que podemos ser - e não vamos parar até que a plena igualdade de gênero seja alcançada."
+ Uma década da Lei de Cotas: ‘É pouco tempo para mudar a realidade de séculos.
O protesto também ressaltou o problema da violência contra as mulheres. "A luta pela igualdade não resultou em diminuição da violência de gênero", disse Drífa Snædal, outra organizadora da greve, ao NYT.
Pelo 14º ano consecutivo, o país teve a melhor pontuação geral no Relatório Global de Lacunas de Gênero do Fórum Econômico Mundial, publicado em junho. Em 2018, a Islândia implementou uma nova lei que exigia que empresas e agências governamentais provassem que estavam pagando igualmente a homens e mulheres. Mesmo assim, as pontuações de paridade em salários e na representação entre funcionários de alto escalão diminuíram desde 2021. As mulheres ganham em média 21% a menos do que os homens no país.









