Presidente Lula demite Silvio Almeida do Ministério dos Direitos Humanos após denúncias de assédio
Ministro foi acusado de ter assediado mulheres, incluindo a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; caso também será investigado pelas autoridades
Por redação Marie Claire — São Paulo (SP)
Silvio Almeida foi demitido do Ministério dos Direitos Humanos após as denúncias de assédio que vieram a público. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (6) após uma reunião no Palácio do Planalto.
"O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual", afirmou nota da Presidência.
Segundo a jornalista Daniela Lima, da GloboNews, o ministro se recusou a pedir demissão. Após a decisão, o presidente Lula considerou a situação "insustentável" e optou pela saída.
Ele já deixou o Palácio do Planalto e não faz mais parte do governo.
Entenda o caso
O Me Too Brasil recebeu denúncias contra o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida. A organização, que acolhe e protege mulheres vítimas de violência, confirmou as denúncias em nota oficial enviada à imprensa.
"A organização de defesa das mulheres vítimas de violência sexual, Me Too Brasil, confirma, com o consentimento das vítimas, que recebeu denúncias de assédio sexual contra o ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos e Cidadania. Elas foram atendidas por meio dos canais de atendimento da organização e receberam acolhimento psicológico e jurídico", diz o comunicado divulgado nesta quinta-feira (5).
Inicialmente, a existência das denúncias foi revelada pelo colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles. Segundo o veículo, a ministra Anielle Franco seria uma das vítimas e teria relatado episódios de assédio por parte do ministro. A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, também confirmou as informações e disse que tentou contato com a ministra em julho. Na época, ela não negou e nem confirmou as informações.
Em nota oficial, Silvio Almeida se referiu às denúncias como "ilações". O ministro também informou que acionou a Controladoria Geral da União, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Procuradoria-Geral da República para investigar o caso.
"Quaisquer distorções da realidade serão descobertas e receberão a devida responsabilização. Sempre lutarei pela verdadeira emancipação da mulher, e vou continuar lutando pelo futuro delas. Falsos defensores do povo querem tirar aquele que o representa. Estão tentando apagar a minha história com o meu sacrifício", diz o responsável pela pasta.
Ministério das Mulheres se manifesta sobre denúncias contra Silvio Almeida
Em nota enviada a imprensa, o Ministério das Mulheres diz que tal conduta é "inadmissível" e reforça que o caso está sendo apurado pela Comissão de Ética da Presidência da República. No comunicado, o órgão ainda garante que a palavra das mulheres terão sempre seu "crédito e respeito" e que nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada.
Veja a nota na íntegra:
"A organização de defesa das mulheres vítimas de violência sexual, Me Too Brasil, confirma, com o consentimento das vítimas, que recebeu denúncias de assédio sexual contra o ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos e da Cidadania. Elas foram atendidas por meio dos canais de atendimento da organização e receberam acolhimento psicológico e jurídico.
Como ocorre frequentemente em casos de violência sexual envolvendo agressores em posições de poder, essas vítimas enfrentaram dificuldades em obter apoio institucional pra a validação de suas denúncias. Diante disso, autorizaram a confirmação do caso para a imprensa.
Vítimas de violência sexual, especialmente quando os agressores são figuras poderosas ou influentes, frequentemente enfrentam obstáculos para obter apoio e ter suas vozes ouvidas. Devido a isso, o Me Too Brasil desempenha um papel crucial ao oferecer suporte incondicional às vítimas, mesmo que isso envolva enfrentar grandes forças e influências associadas ao poder do acusado.
A denúncia é o primeiro passo para responsabilizar judicialmente um agressor, demonstrando que ninguém está acima da lei, independentemente de sua posição social, econômica ou política. Denunciar um agressor em posição de poder ajuda a quebrar o ciclo de impunidade que muitas vezes os protege. A denúncia pública expõe comportamentos abusivos que, por vezes, são acobertados por instituições ou redes de influência.
Além disso, a exposição de um suposto agressor poderoso pode encorajar outras vítimas a romperem o silêncio. Em muitos casos, o abuso não ocorre isoladamente, e a denúncia pode abrir caminho para que outras pessoas também busquem justiça.
Para o Me Too Brasil, todas as vítimas são tratadas com o mesmo respeito, neutralidade e imparcialidade, com uma abordagem baseada nos traumas das vítimas. Da mesma forma, tratamos os agressores, independentemente de sua posição, seja um trabalhador ou um ministro."









