As mulheres que lutam contra o arquivamento das queixas por violência de gênero e sexual
Neste 8 de março, Marie Claire abre espaço àquelas que denunciam a impunidade e clamam por uma verdadeira revolução contra a violência de gênero
Na França, 86% das queixas por violência de g e sexual são arquivadas*. Este número estarrecedor nos impulsionou a tentar compreender como, mais de oito anos após a proclamação da igualdade entre mulheres e homens como a grande causa do primeiro mandato de Macron, ainda estamos neste ponto. A resistência das nossas instituições é forte. A falta de recursos, cruel. A impunidade dos agressores, ainda com frequência excessiva, uma realidade.
Marie Claire dá voz a este combate na ocasião do 8 de março, Dia Internacional dos Direitos das Mulheres. Quatro personalidades tocadas pelo tema — a ponto de, por vezes, quase terem perdido a vida — prestam seu depoimento.
Lio, Nathacha Appanah, Sally, Juliette Binoche: suas vozes dão corpo à nossa pauta. Elas relatam a insidiosa descida ao inferno, o terror, a ausência de perspectivas (o que a escritora Nathacha Appanah chama de "a morte do amanhã"). Elas assumem "suas responsabilidades como cidadãs", como reivindica Lio, estrela sem filtros e sem medo diante do tema das violências sexistas e sexuais há vinte anos: em 2006, ela foi pioneira ao denunciar o conceito de "crime passional" aplicado ao assassinato da atriz Marie Trintignant, vítima de feminicídio pelo então namorado, Bertrand Cantat.
Pedimos uma reforma do sistema judiciário, com juízes especializados em violência sexual.
"A França não fez sua revolução de gênero, a justiça tampouco. O povo das mulheres está aos pés dos tribunais, confrontado com uma resistência muito poderosa da magistratura", acusa sem rodeios Gwenola Joly-Coz, primeira presidente do Tribunal de Apelação de Papeete, no Taiti, que antes de todos já falava em "feminicídio".
Além disso, Marie Claire apoia a proposta de lei integral contra as violências de gênero: diante da urgência, mais de cem associações feministas, ONGs e sindicatos, e mais de 110 parlamentares preparam uma lei-quadro integral. "Pedimos uma reforma do sistema judiciário, com juízes para violência sexual assim como existem juízes de menores, uma polícia e promotorias especializadas, tudo acompanhado de prevenção na origem e reparação no destino", sintetiza Anne-Cécile Mailfert, presidente da Fondation des Femmes, que lidera este projeto ao lado de outras associações.
Para que esta proposta de lei seja adotada, para que a cultura do estupro finalmente recue, assine a petição clicando aqui.
(*) "O tratamento judicial das violências sexuais e conjugais na França", nota redigida por Maëlle Stricot para o Institut des politiques publiques, abril de 2024.
Editorial publicado na revista Marie Claire França 883.









