Diário da Cozinheira
Por
Carla Pernambuco
— de São Paulo (SP)

Ana Soares mantém a vitalidade e o frescor dos tempos em que inaugurou o Pastifício Mesa III em São Paulo, em 1995, e trouxe para o público as massas artesanais cheias de bossa que ela inventou. Revolucionária, já tinha nos restaurantes do país a clientela para suas criações e formou seu batalhão de seguidores — foi assim que mudou a forma como a gente iria encarar as massas dali em diante. Quando fundou o Pasta Café, nos deu mais uma chance de experimentar a felicidade.

É pasta e basta! O Café da Mesa III é para almoçar: um prato de pasta, uma salada em ramalhete de entrada, molhos suculentos, ragus polpudos, pastinhas, pestos, homus e sobremesas gentis. Não é só um almoço, é comida deliciosa em prato de ágata na bandeja de madeira, uma festa campesina, na agilidade de um lunchtime ou um encontro afetivo ao ar livre sem contar o tempo. A atmosfera floral do jardim de ervas e plantas abraça as mesas; o balé desprendido de Aninha passeando entre o verde e o sol pede um sorriso. Tem chapéus de palha para quem quiser vestir.

Um banquete sem pompas com todas as etapas a serem cumpridas na liberdade de provar o que quiser. Podem ser os pratos com as massas da semana, a sequência que inicia com saladas floreadas como arranjos do campo, mesclando coloridas frutas, folhas, ervas e alguma mágica. Podem ser terrines e pães, quiches, vegetais, batatas, pãezinhos e azeites aromáticos para combinar como quiser.

As massas do almoço variam a cada semana: recheadas, em fios, suculosas no brodo, os cappelletti, ravioli e ravioloni, agnolotti, tortelli, spaghetti, fettuccine, pappardelle, nhoque dão um show! As combinações com os molhos também mudam: é possível encontrar o nhoque com um ragu à bolonhesa ou de champignons; provar os fios finos de paglia e feno com um pesto de limão e parmesão; o cappelletti recheado com cogumelos, o ravioloni com carne assada; um molho de tomate com laranja refrescante sobre as fitas largas do pappardelle onde chove parmesão...

Impossível não fazer poesia com a paisagem artística que Aninha construiu para a pasta em São Paulo e no Brasil, depois da revolução de prazeres com que nos serve desde então. Arquiteta, ela foi para a França e lá descobriu a gastronomia que já morava com ela: o pai era dono de um pastifício onde ela pode desfrutar de uma infância saborosa e criativa junto a esse cenário. Foi a combinação de arte e alimento que fez nascer o Pastifício Mesa III e as incríveis massas da Ana na volta ao país. Ela assume a arquitetura dos desenhos de suas massas — é nessa trama de farinha e água que ela tece o que denomina o invólucro para os recheios de suas receitas originais. Foi assim que começou e continua sendo, a Mesa III é Ana Soares em plena efervescência da arte gastronômica, sem pressa e sem temor.

Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: José Eduardo Cunha
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: José Eduardo Cunha
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
Ana Soares e a revolução das massas na 'Mesa III' — Foto: Laís Acsa
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