Diário da Cozinheira
Por
Carla Pernambuco
— de São Paulo (SP)

Receitas, práticas de preparo, instrumentos, dicas e aquele humor Corazza de ser e comunicar fazem do primeiro livro do chef confeiteiro — Eu pagaria por esse doce! — objeto de desejo para quem sabe que um doce faz a festa

A frase é o bordão do chef sempre que experimenta um doce.

Não poderia ser mais acertada, tendo em vista que esse sacudido confeiteiro é professor, comunicador e um influente formador de novos profissionais na cozinha doce: ele é referência e inspiração!

O livro reproduz essa vibração: da capa colorida com um Lucas pendurado no batedor entre quindim, brigadeiro e uma fatia gigante de bolo, até as páginas com frases de sua própria voz lançadas em destaque, o conteúdo atrai, diverte e ensina.

Lucas conta, no livro, sua história na confeitaria e no mundo. Parece que tudo começou quando, ainda pequeno, organizava as próprias festas de aniversário, enquanto zapeava os programas de receitas na tv, folheava livros, encantado pelas artes dos doces. Já era um artista — comunicativo, irreverente, o estilo pessoal e suas obras em confeitaria têm cor, design, referências, história. É interessante conhecer seus rascunhos de criação: ele mesmo desenha bolos e doces antes de prepará-los.

Eu pagaria por esse doce! apresenta receitas divididas em oito capítulos temáticos: “Receber é um prazer”, “Sabores de lá na mesa de cá”, “Festa de aniversário”, sua especialidade, “Café da manhã e chá da tarde”, “Sobremesas com frutas”, “Para presentear ou faça e venda”, sessão dedicada aos empreendedores dos doces, e as finais “Doce não é remédio, mas vovó diria que cura...” e “Quando tudo o que você precisa é chocolate” — o cacau brasileiro de origem é objeto de paixão, estudo e bandeira em seu trabalho. Antes de chegar às receitas, Lucas apresenta a mis em place do confeiteiro, ensinando como organizar a área de trabalho; em outro capítulo, discorre sobre o “deus” chocolate. Quando abrimos “Ingredientes e noções básicas”, ele explica a Santíssima Trindade da confeitaria — açúcar, ovo e trigo —, dá dicas, comenta erros comuns e deixa registrada uma frase lapidar sobre um item essencial da doçaria, a baunilha: “Aonde a gema vai, a baunilha vai atrás”.

Nas páginas, receitas como o Pacumê, que não é só “pavê”, são apaixonantes. Um bolo de abacaxi com coco, já é bom demais, mas nos moldes criativos de Lucas, o abacaxi é confitado, o bolo é amanteigado e o coco marca presença em forma de beijinho dourado. Brigadeiros, para um festeiro contumaz como ele, não podem faltar e a receita do brigadeiro de caramelo com sucrilhos caramelizados é um show — eu amo! Tem, ainda, de chocolate meio-amargo com laranja e um bolo de merengue com cacau e ganache de chocolate que já salivei só de citar aqui...

Clássicos como pudim de leite e caramelo, quindim, bolo de coco gelado não faltam, detalhados na descrição dos ingredientes e no modo de preparo. Alguns segredos de família também surgem nas páginas: o Bolo rústico da minha mãe é tentador.

Indo e voltando na publicação — são 224 páginas — há um mundo a descobrir guiados pela experiência, bom-humor e didática do chef. Como ele faz quando se apresenta na tv, nas aulas, nas redes sociais, entre amigos e, logo mais, ao vivo e a cores, em uma loja própria aberta ao público. Até lá, vamos aprendendo e saboreando as receitas e as tiradas irresistíveis desse iluminado confeiteiro na sua primeira produção escrita.

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