PFW: Jonathan Anderson desperta mix de emoções em sua primeira coleção feminina para a Dior
Um dos mais esperados da temporada, o desfile aconteceu nesta quarta-feira (01) em Paris
Foram muitos os spoilers que antecederam a estreia oficial de Jonathan Anderson na Dior. O estilista apresentou nesta quarta-feira (01) em Paris sua primeira coleção para a linha feminina da maison francesa, de verão 2026, depois de desfilar a coleção masculina em junho.
Para além de pequenos vislumbres nas redes sociais, Anderson vestiu atrizes como Greta Lee, Mia Goth e Monica Barbaro com suas primeiras criações durante o Festival de Cinema de Veneza de 2025, oferecendo vestígios de como pretendia reescrever os códigos da grife, antes comandada por Maria Grazia Chiuri, no feminino, e por Kim Jones, no masculino. Sua nomeação, aliás, marca um momento histórico: desde Christian Dior, é a primeira vez que um único diretor criativo concentra a moda feminina, masculina e a alta-costura da casa.
Durante mais de uma década, o designer transformou a espanhola Loewe em uma das marcas mais instigantes da moda atual, unindo uma valorização do trabalho artesanal, proporções inusitadas e experimentações com uma boa dose de humor — um mix acertado que o fez acumular hits nas prateleiras e nas redes. Tudo isso ajudou a criar uma enorme expectativa em torno do desfile mostrado hoje.
O que se viu na passarela provocou um mix de emoções: da euforia à confusão. Alguns dos destaques seguiram a linha apresentada nos looks de Veneza, como os vestidos com cintura despencada que remetiam à estética libertária dos anos 1920 e as silhuetas com anquinhas volumosas, inspiradas no pannier (estrutura usada para dar volume aos quadris no século XVIII), traduzindo a precisão escultórica que se tornou parte da assinatura de Anderson. Em uma reinterpretação do New Look apresentado por Christian Dior em 1947, as clássicas bar jacket ganharam versões com peplum, recortes laterais e laços gigantes — elemento presente em boa parte da coleção. Houve ainda referências a nomes que fizeram história no comando da Dior, como Yves Saint Laurent e John Galliano.
Outros looks, porém, desviaram desse caminho, refletindo uma linha mais casual e menos atrelada ao legado couture da Dior, como as minissaias de sarja, as camisas com laço no pescoço e as calças jeans — o que pode ser resultado de imposições comerciais que estão além do olhar criativo de um designer, uma vez que o mercado de luxo sofreu quedas significativas no último ano.
Os resultados semestrais da LVMH (conglomerado que inclui Dior, Sephora, Louis Vuitton e mais grifes) divulgados em julho, mostram que a receita caiu 4% em comparação com o mesmo semestre de 2024. Já o lucro de operações recorrentes caiu 15%, para 9 bilhões de euros (R$ 58 bilhões de reais).
No quesito acessório (área pela qual Anderson navega com habilidade), entram em evidência peças como o mocassim com ferragens douradas, as mules coberta por rosas gigantes e a bolsa baú estruturada com laçarote (já estreada pela cantora de k-pop Jisoo na fila A). Considerando que a categoria costuma ser porta de entrada, especialmente para as novas gerações, ao universo do luxo, a coleção reforça o papel dos acessórios como catalisadores de desejo e busca por pertencimento.









