Vinho é afrodisíaco? Por que a bebida é considerada ideal para despertar tesão
Uma taça de vinho é, por vezes, vista como uma injeção de libido pelo clima de sedução e por proporcionar relaxamento. Mas até onde é possível dizer que ele é responsável por aumentar o desejo sexual?
Seja para relaxar no fim do dia, num jantar romântico ou comemorar ocasiões especiais, uma taça de vinho aqui e ali sempre cai bem. O consumo moderado, aliás, pode trazer benefícios para a saúde, desde melhora da saúde cardiovascular até prevenção de algumas doenças. Também há quem diga que o vinho tem propriedades afrodisíacas e é capaz de despertar tesão. Será mesmo?
Conhecido como a bebida mais romântica do mundo, o vinho tem mesmo precedentes que fazem jus ao posto. Não à toa, Dionísio, o deus do vinho, também representa o prazer e as festas na Grécia Antiga. Na mitologia romana, era Baco quem carregava esse mesmo título.
Essas raízes favorecem a visão que temos até hoje: de que um vinhozinho eleva o patamar de dates e acende o fogo em momentos calientes. Some isso ao fato de ser uma bebida sofisticada, cheia de nuances e versátil. Mas, no fim das contas, o que isso tem a ver com aumento de libido? Marie Claire investigou até onde vão as propriedades afrodisíacas de um bom vinho.
🍷 Vinho afrodisíaco: o que diz a ciência?
Relaxamento, desinibição social, aumento da confiança e melhora do humor são só algumas propriedades em diversas bebidas alcoólicas. Daí vem a vontade de beber em dates românticos ou para soltar o clima para transar.
Nos últimos anos, um estudo ou outro têm pipocado para entender até onde esse suposto aumento de libido vem ou não do consumo de vinho.
Por mais que essa concepção tenha se enraizado e existam estudos científicos que observam essa questão, eles ainda são poucos. E todos reconhecem que é necessário fazer mais buscas para confirmar essa relação.
Um estudo de 2010 realizado na Itália apontou que o consumo moderado de vinho tinto aumenta o desejo sexual de mulheres, observou mais lubrificação vaginal e melhora da função sexual em comparação com mulheres que não bebem.
Em 2023, o tema foi revisitado no país pela Universidade da Catânia e Universidade Magna Graecia di Catanzaro, que enfatizaram: mesmo que existam poucos estudos clínicos que relacionem o vinho ao desejo sexual, as propriedades antioxidantes dos polifenóis do vinho tinto (antioxidantes da casca da uva que influenciam a circulação do sangue) são benéficas para o sistema reprodutivo.
Um terceiro estudo realizado por cinco universidades da Hungria em 2024 também detectou melhora no desempenho sexual com o consumo moderado de vinho. Ainda ressaltou que beber uma tacinha ou outra de vez em quando aumenta os níveis de testosterona nos homens e melhora a qualidade de vida e do sono, sem interferir negativamente no desempenho sexual.
As explicações hormonais existentes miram, principalmente, o vinho tinto, já que ele tem níveis mais elevados de polifenóis; além de serem ricos em resveratrol, composto que aumenta o óxido nítrico do corpo e ajuda na vasodilatação, melhorando a lubrificação vaginal e prolongando a ereção do pênis.
A bebida ainda pode agir na produção de hormônios sexuais, sobretudo a testosterona, que está diretamente ligada à libido. Os antioxidantes ainda ajudam a diminuir o estresse, a sensação de ansiedade e reduzem a pressão arterial.
Afinal, beber vinho aumenta mesmo a libido?
A ginecologista especializada em sexualidade Thais França diz que, mesmo com estudos existentes, não é comprovado que as substâncias ajam diretamente no aumento da libido ou no desempenho sexual. Ela explica que o efeito é indireto e depende da dosagem. “O consumo excessivo anula e até prejudica a função sexual”, diz. No entanto, França explica que a bebida pode facilitar o clima sexual por ter efeito relaxante e desinibidor.
Elaine de Oliveira, sommelière e colunista de vinhos e enoturismo de Marie Claire, concorda com a falta de evidências científicas de que, quimicamente, o vinho é afrodisíaco, mas enfatiza que há propriedades sedutoras, sim. Os motivos, no entanto, estão ligados a questões culturais, sociais e psicológicas.
"Na prática, os vinhos têm um poder sedutor inegável. O ritual de abrir a garrafa, o som da rolha que remete a celebração, os aromas que se espalham no ar, a beleza da bebida na taça… Tudo isso desperta os sentidos e cria um clima de intimidade", analisa. "O vinho convida a desacelerar, a olhar nos olhos, a prestar atenção no momento. Para mim, isso é muito mais afrodisíaco do que qualquer fórmula mágica."
A culinarista, pesquisadora, empresária e apresentadora Carla Pernambuco, por trás da coluna Diário da Cozinheira publicada em Marie Claire, concorda. “O ritual de beber vinho, assim como os aromas e sabores, podem estimular os sentidos e potencializar a experiência romântica em geral. O ambiente romântico e as associações positivas com o vinho também podem contribuir para os efeitos afrodisíacos.”
Quais tipos de vinhos são considerados afrodisíacos?
O vinho tinto é considerado o mais buscado para elevar o clima de romance e sedução — seja pela alta concentração de taninos e flavonoides, seja por critérios como aroma, sabor e possibilidade de harmonizações.
Carla Pernambuco e Elaine de Oliveira indicam a escolha das uvas Pinot Noir e Shiraz. “São as melhores nesse sentido e celebradas por harmonizarem com uma ampla variedade de pratos e alimentos”, diz Pernambuco.
“O Pinot Noir é elegante, sedoso e tem aromas de frutas vermelhas. Já o Syrah é mais picante, com notas de especiarias”, completa Oliveira. Ela ainda acrescenta um Vinho do Porto Tawny envelhecido. “É doce e envolvente, perfeito para acompanhar chocolate ou simplesmente encerrar a noite.”
Merlot, Cabernet Sauvignon e Malbec também aparecem entre as castas queridinhas dos tintos.
As colunistas de Marie Claire indicam ainda que, além dos vinhos, a Champagne não deve ser descartada, já que são frescos e leves. “Na minha opinião, sempre foi e sempre será a grande afrodisíaca”, diz Pernambuco.
Entre os vinhos brancos, o Chardonnay tem notas aromáticas cítricas e minerais, que estão ligadas ao prazer e relaxamento. A uva também tem teor alcoólico moderado, que relaxa o corpo sem atrapalhar o desempenho.
Vinhos rosés também são celebrados por proporcionar relaxamento, aumentar a sensibilidade ao toque, diminuir inibição e potencializar o prazer sem embriagar.
Qual a quantidade de vinho indicada?
O que estudos e especialistas observam é que a quantidade indicada varia de acordo com aspectos biológicos. Para mulheres cis e demais pessoas com vulva, indica-se o consumo de uma a duas taças por dia. No caso de homens cis e demais pessoas com pênis, indica-se até três taças diárias.
Como sempre, reforçamos aqui: para perceber efeitos positivos, o consumo deve ser moderado e regular. Isso quer dizer que não adianta simplesmente chegar no date e entornar uma garrafa inteira antes da transa.
A libido não vai aparecer magicamente, o desempenho pode ser ruim e o que era para ser uma noite romântica pode virar algo que você queira só esquecer.
Beber vinho demais antes do sexo pode levar a impotência e diminuição de libido — tudo que temos certeza que você não quer. Lembre-se que a ideia aqui não é ficar bêbado, mas desfrutar do momento! Mais do que isso, a atmosfera sensual do vinho é o que contribui mais para elevar o clima de romantismo e intimidade do momento. Salud!









